Nascido em 6 de setembro de 1956, em Santos, Ricardo Blanco Figueiredo, o Ricardinho Blanco, cresceu cercado pelo mar. Filho de portugueses por parte do seu pai, Henrique, e de espanhóis por parte da sua mãe, Arlette, mudou-se ainda criança para o Caravelle, um dos prédios pé na areia, no José Menino. A proximidade com a praia e a vista da ilha Urubuqueçaba despertaram cedo a paixão pelas ondas. Como muitos garotos da época, começou brincando nas Planondas de isopor e nas pranchas improvisadas de madeirite. A criatividade logo falou mais alto. Aproveitando os materiais da tradicional Casa São Pedro, loja de seu pai, na Ponta da Praia, passou a fabricar suas próprias pranchas. No fim dos anos 1960 e início dos 70, experimentou novas técnicas em uso, isolando o isopor com Cascolac antes da laminação. Ricardinho fez parte da lendária turma da Zona do Agrião, que mais tarde daria origem à tradicional turma do Murinho, em frente ao tradicional Clube Caiçara, ponto de encontro de gerações de surfistas. Entre seus companheiros estavam os irmãos Edinho Orca e Ênio Cabeça, Cubano, Musgão, Gui, Arraul, Zizo e Geraldo Mantilla, Laio, Adelino Gonçalves, Chico Brutus, além da família Mansur. Amizades que permanecem vivas há mais de cinco décadas. Em 1977, casou-se e mudou-se para São Sebastião, onde seu pai mantinha uma filial da Casa São Pedro, na Avenida Altino Arantes. Morando sobre a loja, dividia o tempo entre o trabalho, a fabricação de pranchas e sessões rápidas de surfe em Guaecá, Camburi e Maresias. Foi ali que ajudou a organizar, por volta de 1978, aquele que considera ter sido o primeiro campeonato de surfe de São Sebastião, realizado no Canto do Moreira, em Maresias, com apoio da prefeitura e de uma surf shop local. Paralelamente, desenvolveu outra paixão: a fotografia. Em 1977 adquiriu seu primeiro equipamento semiprofissional e, anos depois, montou um dos primeiros laboratórios manuais de fotografia colorida de Santos. Fotografou casamentos, eventos e, principalmente, o universo do surfe. Seu olhar registrou pioneiros, campeonatos e personagens que hoje fazem parte da memória do surfe. Embora tenha participado de alguns campeonatos, Ricardinho sempre preferiu o free surf. Admirador de Greg Noll, emocionou-se ao conhecê-lo em Santos e mostrar uma fotografia dos pioneiros locais homenageando o ídolo com as tradicionais bermudas listradas. Surfista, fotógrafo, shaper, formado em Educação Física pela Fefis e eterno apaixonado pelo mar, Ricardinho Blanco ajudou a construir, viver e preservar uma parte importante da história do surfe santista. Casado com Silvia Cristina, pai de Tabatha e Talitha, frutos de seu primeiro casamento, e avô de Lucas e Théo, sua trajetória prova que algumas das melhores ondas permanecem vivas na memória de quem teve o privilégio de surfá-las. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal