[[legacy_image_215363]] Pegar onda juntos era o preço que Rose cobrava do irmão, Almerindo Carlos Fabris, o Carlinhos, para ajudar a carregar a enorme prancha da Rua Benjamin Constant até a Praia das Pitangueiras, em frente à Ilha Pompeba. Sua participação começou assim, acompanhando o irmão, nas primeiras ondas do surfe feminino no Guarujá, onde nasceram e cresceram. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Carlinhos nasceu em 1946 e se destacou no surfe por influência dos filmes dos anos 1960, da juventude transviada que quebrava padrões de comportamento e queria construir sua própria identidade. Ele gostava de plantar bananeira sobre a prancha e carregar os amigos nos ombros, entre eles o Jorge Mula. Nessa época, outro surfista, o Guaracy, passou a dividir as ondas do pico com Carlinhos. Roseleine Fabris nasceu em 21 de junho de 1954 e teve sua prancha aos 13 anos, uma caixote amarela de madeira, recheada de isopor, a primeira usada pelo irmão. Ela tinha as iniciais CV, de Carlinhos e da sua antiga namoradinha Vera, mas foi no pranchão de fibra da Glaspac que ela pegou o gosto pelo surfe. Os dois surfavam na Praia das Pitangueiras, em frente ao Clube da Orla, ou nas Astúrias. O pioneirismo de Rose Fabris e o malabarismo de Carlinhos ficaram registrados num antigo vídeo-documentário. Na ocasião, o Cine Guarujá do seu José, conhecido como Cinema Velho, chegou a passar o filme e o que sobrou dessa lembrança foram as fotos compiladas da produção. O ciclo se encerrou logo, em 1970, com a partida precoce do irmão em um acidente de carro. Rose se dedicou aos estudos, casou e teve duas filhas. Foi a mais velha quem herdou o gosto pela magia do surfe. Camilla, aos 16 anos, gostava tanto das histórias de pioneirismo da mãe, que juntou dinheiro para comprar a própria prancha. Ela chegou até a cuidar dos cachorros do surfista Taiu Bueno, com quem desenvolveu uma grande amizade e cuidados. O legado dos Fabris não parou mais. O Guarujá e suas praias paradisíacas atraíram o surfe paulista e os primeiros campeonatos estaduais, revelando o primeiro campeão brasileiro profissional, Paulinho do Tombo, em 1987, e o campeão mundial profissional de 2015, Adriano Mineirinho. Acompanhe nossas publicações no facebook e no instagram @museudosurfesantos