O caçula da família Salazar, Alexandre Junior, cresceu cercado pelo incentivo do pai e dos irmãos mais velhos, que desde cedo reconheceram no menino a mesma determinação que marcava a vida no surfe. Foi desse ambiente familiar que surgiu Picuruta, o santista que se tornaria o surfista mais premiado da história do surfe mundial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nascido na Santa Casa de Santos em 5 de novembro de 1960, ele passou a infância na casa 5 da Rua Particular Alfredo Ximenes, na conhecida Vilinha, próxima ao Canal 1. Começou a surfar aos oito anos, sempre ao lado dos irmãos Lequinho e Almir, para quem o mar era prioridade absoluta. Em uma época em que o surfe ainda era marginalizado, o pai, Alexandre, o Bigode, acreditou no talento dos filhos e dedicou-se a acompanhar e divulgar cada passo deles no esporte. O esforço valeu a pena. Dono de um estilo único e de uma poderosa batida de backside, Picuruta conquistava campeonatos em todo o Brasil, rivalizando com os cariocas, então dominantes no cenário competitivo. Ele também foi um dos pioneiros da profissionalização do esporte no País, base do caminho que levaria, décadas depois, à formação de campeões mundiais e de um campeão olímpico. Seu apelido nasceu cedo. O avô, Eleutério, apertava suas bochechas chamando-o de Picorrucho, que virou Picuruta. Já Gato surgiu após um acidente doméstico: mordido pelo doberman da família, ficou com marcas no rosto, e o vizinho Pestana passou a chamá-lo de Cara de Gato. A combinação entre o apelido e a agilidade nas ondas cimentou a Lenda do Gato. Sua história no mar começou em 1968, com um longboard Glaspac, comprado pelo pai por 100 cruzeiros. Os irmãos levavam o pesado pranchão até a praia e dividiam as ondas do Canal 1 com surfistas como João Pestana, Luiz Zé, Marcos Tubo, Orácio Cocada e Homero. Ao longo da carreira, os títulos se acumularam: quase 170 no total. Entre eles, os dez Campeonatos Brasileiros de Longboard, o recorde de tempo na Pororoca e vitórias inesquecíveis, como o Torneio Niasi/Tribuna FM, em 1988, dedicado ao irmão Lequinho, falecido pouco antes. Picuruta comemorou abraçado ao pai, em uma cena que marcou o surfe brasileiro. Em 1987, no primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, Picuruta teve participação de destaque e terminou o ano na nona colocação do ranking geral. Brilhou especialmente na segunda etapa, o Lightning Bolt, disputado em Pitangueiras, e na etapa final, em Saquarema, válida pelo Town & Country Pro. No ano seguinte, logo na etapa de abertura do segundo Circuito Brasileiro, o OP Pro, no Quebra-mar da Barra da Tijuca, Picuruta participou de uma manifestação histórica: os surfistas se recusaram a competir e exigiram aumento na premiação, demonstrando união e força no início da era profissional. Fora d’água, Picuruta divulgou o esporte em programas de TV, realities e documentários, incluindo o filme biográfico A Lenda do Gato, dirigido por Alex Miranda. Com a longevidade como marca, revolucionou o longboard ao aplicar manobras radicais típicas das pranchinhas. Hoje segue surfando, comandando a Escola de Surf Picuruta Salazar no Quebra-Mar, cuidando dos animais que ama e da natureza. Casado com Karim, é pai de Caio, Leco e Matheus - todos seguindo, cada um à sua maneira, os passos do maior surfista brasileiro da história. Obs: a coluna Histórias do Surfe completa 6 anos em parceria com o Jornal A Tribuna, divulgando ininterruptamente as histórias que fizeram do surfe brasileiro o maior do planeta. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal