[[legacy_image_318593]] O gosto de um mestre-pescador pela Baía de Santos selaria o destino de toda sua família. Natural de Santa Catarina, João Estevão da Costa, atraído pela cidade, mudou-se com a esposa Madalena e os quatro filhos para o Litoral Paulista. Hercy Fidencio, um dos filhos do pescador, conheceu a santista Rute Silveira. Os dois se casaram e tiveram os filhos João Estevão da Costa Neto, nascido em 16 de agosto de 1950, e Carlos Eduardo, o Mosquito, dois anos mais novo. O nome do primogênito era em homenagem ao avô, mas João ficaria conhecido como Pestana, pelas suas grossas sobrancelhas. Quando pequeno, João Pestana encontrou uma prancha na escadaria do prédio onde morava no Marapé e ficou curioso. Foi o próprio irmão quem levou o equipamento para ser guardado no prédio. O pranchão preto e branco da Glaspac pertencia a um amigo, o Paulo Morsa. Na época, por volta de 1967, João foi até a praia do Canal 1, ainda sem o Quebra-Mar, e colocou a prancha na água. A diversão foi imediata e a relação com o mar o acompanharia por toda sua vida. Estudante do Ateneu Santista, João Pestana passou a dividir o tempo na praia entre o futebol e o surfe. Jogador do Tricolor do Marapé, a turma da bola se misturava com a do surfe. Fazia parte da turma do Canal 1 o Chachufa, os irmãos Sérgio e Zé Cláudio Gadelha, Ratão, Marcinho, Banana, Arthur, Caramez, Beltrame, Amarelo, Miro, Zé Moreia, Bulina, Catatau, Quizumba, Gersão, Orácio Cocada e os mais novos, entre eles os irmãos Salazar: Lequinho, Almir e Picuruta. Quando o mar estava flat, a galera do surfe fazia um rachão na areia da praia, unindo ainda mais a turma. Em dias de ressaca, os locais do Canal 1 surfavam sozinhos, mas quando o mar diminuía muita gente vinha de outras praias para dividir o pico. Pestana era um dos cascas-grossas do Canal 1 que se impunham para defender o território. Pestana não ligava para campeonatos. Alcançou a quinta colocação no 1º Torneio de Surf do Canal 1 (1972/73), que teve Orácio Cocada campeão na categoria seniores e Victor Catatau entre os juniores, mas ele gostava mesmo de estar na água e desbravar novos picos. Acampou na paradisíaca Praia Branca e viajou pelo Litoral até São Sebastião, onde o amigo Nicola (seu grande compadre) tinha uma casa. Numa dessas surftrips inesquecíveis, Pestana e os amigos, entre eles Pedro, o Dog, estavam acampados na areia da Praia da Joaquina, em Floripa, quando uma onda de surpresa arrastou a barraca. Pestana se tornou um mergulhador profissional e trabalhou na Petrobras, ao lado do amigo Fábio Jacuí. Em 1977, um acidente quase lhe custou a vida. Numa madrugada ele mergulhou para recuperar uns tubos de alta pressão que tinham se desprendido do navio, mas uma falha de comunicação acabou liberando uma quantidade maior de cabo de aço. Enroscado e sem conseguir suportar o peso do cabo, Pestana estava sendo arrastado para o fundo, mas conseguiu se desvencilhar a tempo para sobreviver. Em 1982, se mudou para São Sebastião, onde casou e teve um filho, Felipe. Dedicado ao mergulho, Pestana abriu uma escola e uma loja de surfe, a Swell (depois Gunston 500), em 1983. Felipe também segue os passos do pai no surfe e os dois costumam remar juntos. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal