[[legacy_image_253310]] A primeira mulher surfista, Margot Rittscher, deslizou sobre as ondas de Santos ao lado de seu irmão Thomas, iniciando o movimento de surfe no País, na década de 1930. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A partir desse ato pioneiro, passando pela geração de 1960 até chegar aos dias atuais, as surfistas brasileiras conquistaram cada vez mais destaque. Numa época marcada pelas contestações, o universo do surfe abraça as mulheres, de forma livre e democrática. Em 1962, uma jovem rodeava os rapazes e suas imensas tábuas de madeira. A carioca Fernanda Guerra tinha apenas 13 anos quando se encantou pelo surfe. Naqueles tempos, nenhuma outra menina encarava o mar do Arpoador, mas Fernanda queria ficar de pé na prancha. Sua coragem contagiou a amiga do Colégio Anglo Americano, Maria Helena. A partir daí, a nova onda carioca atraiu outras meninas como Heliana Oliveira, iniciando assim o surfe feminino do Rio. Nas praias paulistas, o movimento começou em 1966, no Guarujá. A paulistana Gessia, aos 13 anos de idade, ganhou uma prancha Glaspac MK-2. Vera, a Biuta, irmã mais nova de Gessia, ganhou outra, e juntas passaram a dividir as ondas e as alegrias com as amigas que passavam os fins de semana e as férias na casa da família Flakenberg, na Praia das Astúrias. Em julho do ano seguinte, Guarujá recebeu o Primeiro Campeonato de Surf do Estado de São Paulo. Entre os heroicos 66 competidores havia uma única mulher, a paulistana Renata Polisaitis. Ao lado dos homens, ela entrou para a história do surfe competitivo no Estado. Na sequência, pelo Segundo Campeonato Paulista, em 1968, a italiana Carla Canepa, criada em Santos, se juntou à campeã Renata e alcançou a segunda colocação. Carla fez parte do Big Kahuna Surf Club, do Canal 3. Ela e a amiga Helena Prado, a Lená, compartilhavam juntas a alegria e a liberdade do surfe. Naquele 1968, ano emblemático da ditadura brasileira, o surfe feminino se espalhou pelas praias santistas. No Campeonato Aberto do Ilha Porchat, a disputa da prova feminina ficou entre três participantes: Silvia Helena Lage, Elizabeth de Campos Marsiglia e a paulistana Fernanda Maciel Marinho, primeira colocada. No mesmo ano, o Campeonato de Surf do Caiçara Clube, disputado no Canal 3, recebeu as meninas Maria de Lurdes Dilu Costa, Cristina Dias Torrecilla, Marione Barbosa, Ocirema Cristina Porto Alegre, Carla Canepa e a estreante e campeã Katia Grubba. Dois anos depois, em 1970, no histórico Primeiro Campeonato Santista, Sheila de Castro Farias se sagrou a primeira campeã feminina de surfe de Santos. Ela disputou com as surfistas Eveli Dubinee, Roseli Dubinee, Regina Mariano, Thais Aparecida Lagua e Regina Forte. O surfe feminino avançou pelo País nas últimas décadas e a cidade sempre esteve bem representada. Em 2019, a surfista Júlia Santos se tornou campeã brasileira de surfe profissional. Ela levou o título do Circuito da Confederação Brasileira de Surf. Nesse mesmo ano, a carioca radicada em Santos Márcia Portes foi campeã brasileira na categoria Longboard 45+. Em 2020, a campeã paulista de longboard foi Kaylane de Souza, representando a equipe de Santos. Neste mês de março, as atenções do surfe feminino estarão voltadas para Santos. A surfista e educadora Isa Panza promove a 2a edição do Festival Sul-Americano de Longboard Feminino no Quebra-Mar. A abertura será na próxima quinta-feira, no Teatro Guarany. A coluna Histórias do Surfe se orgulha de escrever essa trajetória de conquistas e dedica esse artigo às mulheres, em especial pela comemoração do mês dedicado a elas, representado no último dia 8. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfe santos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal