Xaxim, Bigode, Ferraro, Neguito, Bulina, Almir Salazar, Kosplac, Edu Buran e Picuruta (Reprodução) Carlos Balthazar era um marinheiro português que servia ao Exército do seu país quando cruzou o mar para se encantar com o Brasil. O desertor, proibido de voltar a Portugal, casou-se com Lucília, uma paulista interiorana que vivia em Santos, e com ela fez sua família. O espírito aventureiro para descobrir outros mares e novas terras também está no seu neto, Carlos Eduardo Balthazar. Nascido em Santos, no dia 19 de março de 1962, Edu atravessou países e continentes atrás das melhores ondas, emprego e uma vida melhor. A paixão pelo mar começou quando ainda era pequeno. Aos 13 anos começou a pegar onda com sua Havaí 5.0, uma pranchinha de isopor e quilha de madeira. Morador da rua Don Duarte Leopoldo e Silva, no Marapé, Edu passou logo a formar na turma de surfistas do Canal 1, entre eles o Porcão, Carriça, Quizumba, Cabeça, Leiteiro, Pagé, Cisco, Pestana e, claro, os irmãos Salazar. A ordem era abrir e encerrar a praia. Todos os dias, o dia todo. As surftrips começaram logo que terminou o colegial na Escola Primo Ferreira. Em 1980, aos 18 anos, Edu pegou estrada com o amigo Almir Salazar para desbravar o Sul do país. Ficou um mês na Praia da Guarda do Embaú e voltou de lá um tube rider. Nesse mesmo ano, Edu foi para o Rio acompanhar o prestigiado Waimea 5000. Ele caiu no mar de Ipanema ao lado de Joey Buran, trocou uma ideia com o surfista californiano e recebeu dele uma cordinha, um calção Body Glove e uma camiseta com o nome dele estampado. Ganhou mais do que isso. Ao fazer uma foto com o primeiro californiano campeão de um evento da IPS, a galera começou a gritar: "Olha o Edu Buran!". O apelido pegou. Edu Buran soube aliar a paixão pelo surfe com o profissionalismo do esporte. Ele foi o primeiro patrocinado da história da Hang Loose. O apoio veio com a alta performance nos campeonatos de surfe. Ele venceu o Campeonato Júnior na Joaquina (1980), o Festival Brasileiro Coca-Cola Júnior, na Praia de Atlântida, Rio Grande do Sul (1980), o Nacional de Peruíbe (1985) e acumulou excelentes colocações nos Campeonatos Brasileiros, entre eles o Sundek e o OP Pro. Na sua trajetória internacional, alcançou um 5º lugar no Santa Mônica Pro de 1989. A prancha mais marcante foi uma Hidrojet, do Joca Secco, que marcou sua vitória no Confronto Rio-São Paulo de 1985. O campeonato reunia 32 surfistas (16 paulistas e 16 cariocas), disputado no Quebra-Mar do Rio. Ele passou pelo carioca Ferrugem Baltazar na semi e fez a consagrada final contra Valdir Vargas. Edu percorreu a América. Em 1987 foi para o Peru e em 1989, Puerto Escondido, no México. Para alcançar os Estados Unidos e realizar o sonho de surfar na Califórnia e Havaí, Edu viveu uma aventura digna de um filme policial. Ele cruzou a fronteira por Tijuana, se perdeu do grupo e foi pego pela polícia. Os policiais queriam que ele desse a pista dos demais, mas Edu segurou a bronca e disse que vinha de uma família pobre para tentar a vida nos Estados Unidos. Os policiais foram com a sua cara e mandaram um coiote atravessar a fronteira com ele. Foram 14 anos (entre 1989 e 2003) e um casamento de cinema. Edu encontrou na Marina Del Rey outros brasileiros que pintavam os barcos capitaneados pela família Tijolo, de Santos. No réveillon de 1990, no Havaí, Edu conheceu a filha do famoso cineasta norte-americano Peter Bogdanovich. Edu viu sua vida mudar, literalmente, durante os três anos que foram casados. Hoje, aos 62 anos, vive em Barcelona com Márcia, sua esposa, e surfa esporadicamente, especialmente na temporada de ondas. Na Espanha se especializou pela Orthos, é personal trainer e professor de jiu-jitsu. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal