[[legacy_image_225478]] Sérgio Cangiano nasceu em 1955 em Belo Horizonte e viveu na cidade mineira de Ipatinga até 1968, quando a família migrou para Santos. O pai, engenheiro civil, trabalhou na construção da Usiminas e foi transferido para a Cosipa, em Cubatão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A mudança da família proporcionou a intimidade dos filhos com o mar. Eram em cinco: Sérgio, Ika, Cadinho, Adna e Aldo, todos com uma diferença de um ano entre eles. Os irmãos e os amigos nadavam no canal de Bertioga e pulavam do trampolim de três estágios, instalado no canal. A graça de nadar foi junto com a demolição do equipamento. Nessa época, Sérgio treinava natação no Internacional de Regatas. Encarando os treinos pesados para competição, o jovem sentiu-se seguro para desafiar as ondas, logo que o surfe entrou na sua vida. A família visitava o Rio de Janeiro, quando Sérgio foi atraído pela imagem de uma prancha de fiberglass na areia do Arpoador no Rio. A vistosa prancha gringa de Allan, um surfista estrangeiro que estava no Rio de Janeiro, influenciou o santista, que também passava férias. Acompanhado do amigo Caio Graco, Sérgio fabricou sua prancha de madeirite e surfou suas primeiras ondas no Canal 2. Naqueles anos finais da década de 1960, Sérgio se uniu à turma de surfistas formada por Julinho Mazzei, Giba, Musgão, Lequinho, Almir, Cisco, Oracio, Auriemma, Saulo, Paulo Rabello, Sérgio e Tony Barletta, Cabeça, Marcelo Fukuda, Pierre, Beto Cajazeiras, Mario Casca, Carioca, entre outros. Essa galera começou a conquistar a praia do Tombo, acampar na praia do Pernambuco e chegou à Praia Grande, em Ubatuba. Sérgio acompanhou a evolução dos materiais e até se arriscou a produzir com o amigo Akira pranchas de isopor, revestidas de resina com isolamento de celofane. Tempos depois, soube pelo shaper Homero dos blocos de poliuretano fabricados em São Conrado pelo Coronel Parreiras. Sérgio e Paulo Macaco foram até o Rio e trouxeram dois blocos. Homero fabricou duas pranchas lindas de Clark Foam, das primeiras de Santos. Aos 18 anos, Sérgio ingressou na Unicamp e cursou Bacharelado em Ciências da Computação. O jovem se entusiasmou pela ação política e participou do movimento estudantil na Unicamp. Em 1982 filiou-se ao PT, já trabalhando na Burroughs, atual Unisys, e conheceu um grande amigo: o filósofo Everardo Nóbrega de Queiroz, já falecido, e juntos começaram a atuar no movimento sindical pela APPD, Associação dos Profissionais de Processamento de Dados, o SINDPD-SP, Sindicato de Processamento de Dados de São Paulo. Ele acabou cassado na Datamec, e continuou no movimento no bairro Butantan, no Diretório Zonal do PT, como secretário por seis anos. O surfe caminhou ao lado dos estudos e da atuação política. Foram muitas viagens por todos os oceanos. Em uma delas, surfando em Punta Hermosa, no Peru, a turma de 10 surfistas, entre eles Paulinho Issa, a irmã Ika, Marquinhos e Cabelo, entraram no mar e uma bruma cegou a todos. Sem enxergar nada, Sérgio tomou uma morra de cinco metros na cabeça, foi jogado nas pedras, conseguiu salvar a si e a sua prancha, uma biquilha branca com uma faixa verde e amarela, sua identidade brasileira. No Brasil, Sérgio viveu uma viagem épica ao lado do amigo Cocó Faggiano. Juntos percorreram o litoral brasileiro de motocicleta 125c carregando as pranchas até o Ceará. Sérgio foi campeão paulista Masters, aos 35 anos, mas deixou de competir. O free surfer está aposentado, atua como prefeito da quadra onde mora em Brasília e foi eleito coordenador pelo PT-DF no Setorial de Ciência, Inovação & Tecnologia da Informação e Comunicação. Esse ano concluiu seu Mestrado em Filosofia pela UNB. Na sua trajetória por um mundo livre e justo, em harmonia com a natureza, Sérgio era conhecido pelos comunistas como surfista, para os surfistas ele era o comunista. Ele nunca se importou com isso: “Sou apenas eu mesmo”.