Neno Matos foi o terceiro colocado no 1º Circuito Brasileiro de Surf Profissional (Bruno Alves/Divulgação) Nascido em 23 de junho de 1960, Washington Hugo de Matos, o Neno do Tombo, o mais velho dos três filhos surfistas do pescador Seu Landinho, o Bororó, e de Dona Anita, iniciou sua trajetória no surfe na década de 1970, na Praia do Tombo, onde cresceu em uma comunidade caiçara, formada pelas famílias do Piuta, do Furado, dos Moura, Marques, Casanova, Matos, entre outras, que moravam à beira-mar. Naquele período, o acesso ao surfe era muito limitado: pranchas eram raras, não havia cordinha, e o aprendizado acontecia de forma improvisada. Ele e outros jovens corriam atrás das pranchas de surfistas mais velhos para experienciar e tomar gosto pelo surfe. Sua formação foi fortemente influenciada pela cultura caiçara e o surfe pelos locais que incentivavam a nova geração. Entre eles, o Zé Roberto das Astúrias, que deixava pegar as pranchas dos surfistas paulistanos em dias de semana, e o Tony Maldi, o Tarzan, morador do Tombo e fabricante de parafinas, que levava para pegar ondas grandes em outras praias. No contexto das competições, enfrentou a força dos surfistas cariocas e desenvolveu rapidamente sua consistência. Na carreira profissional, destacou-se nos circuitos paulista e brasileiro. Em 1987, no primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, promovido pela Abrasp, Neno alcançou a terceira colocação na última etapa, o Town & Country Pro, e garantiu assim o terceiro lugar no Circuito, atrás apenas do seu irmão, Paulinho Matos, e do carioca Pedro Müller. Como irmão mais velho, foi o precursor da família no surfe competitivo, abrindo caminho para Paulinho e Amaro Matos. A presença dos irmãos elevava o nível competitivo da Família Tombo. Além das conquistas, Neno fez parte de uma geração que ajudou a transformar o surfe no Brasil. Na década de 1980, o esporte ainda enfrentava preconceitos e os surfistas lutaram por reconhecimento profissional. Ele participou de um momento marcante ao lado de outros atletas, quando paralisaram uma etapa no Rio de Janeiro para reivindicar melhores condições e um piso salarial, contribuindo para a união dos surfistas e avanços na profissionalização do esporte. Após encerrar a carreira na pranchinha, seguiu ativo no esporte. Tornou-se bicampeão brasileiro de stand-up paddle nas categorias master e super master, além de campeão paulista. Formado em Educação Física, passou a atuar como treinador e fundou sua escola de surfe na Praia das Astúrias, no Guarujá, onde transmite sua experiência às novas gerações, valorizando disciplina, preparo físico, caráter e humildade como pilares do sucesso. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal