Nascido em Bragança Paulista, em 2 de agosto de 1944, Nelson Machado pertencia a uma geração que acompanhou de perto a transformação do surfe em fenômeno cultural das praias no Brasil. Empresário e proprietário da loja Waimea Surf Shop, em Ipanema, decidiu fazer uma aposta que parecia improvável: trazer ao País os principais nomes do surfe mundial. Em meados dos anos 1970, transformou essa ideia em realidade e colocou o Rio de Janeiro no calendário internacional do surfe. Filho de uma família de raízes italianas e portuguesas, Nelson cresceu em um ambiente ligado à agricultura. Os avós maternos vieram da Itália e os paternos de Portugal. A família trabalhava com atividades rurais, como o cultivo de café e batatas, além da produção de queijos e linguiças e da comercialização de gado. Era uma realidade distante daquela que Nelson encontraria anos depois nas praias cariocas. Aos 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para ingressar na formação de comissários de bordo da Varig. No final da década de 1960, a companhia transferiu parte de sua estrutura de treinamento para um prédio ao lado do Aeroporto Santos Dumont, onde passou a funcionar oficialmente o Centro de Treinamento de Operações de Voo. Ali começou uma trajetória que o levaria muito além das fronteiras brasileiras. Entre 1966 e 1976, Nelson trabalhou como comissário de bordo da Varig. A escolha tinha relação direta com seu interesse por viagens e pelo exterior, especialmente a Europa. A aviação permitiu conhecer diferentes países e culturas, experiência que também alimentou seu interesse por pesquisas sobre a vida de Jesus, levando-o a lugares como Israel, Egito, Índia, Tibete e Éfeso. A Waimea Surf Shop nasceu em 1974, na esquina da rua Barão da Torre com a Montenegro, atual Vinicius de Moraes, em Ipanema. Meses antes, Nelson havia experimentado o comércio com uma butique, a Dasha, mas logo percebeu que seu interesse estava em outro universo. Frequentador do Arpoador, acompanhava a chamada geração colorida e enxergava no surfe muito mais do que uma atividade esportiva. Queria promover aquele estilo de vida e dar visibilidade aos seus praticantes. A ideia de realizar um campeonato internacional surgiu depois de uma competição em Saquarema. Mesmo diante das brincadeiras e da incredulidade dos presentes, Nelson anunciou que traria os melhores surfistas do mundo para competir no Brasil. Pouco depois, embarcou para o Havaí, onde procurou Randy Rarick e participou das articulações para a criação da International Professional Surfers (IPS), entidade responsável pelo primeiro Circuito Mundial Profissional de Surfe. A reunião contou com importantes nomes do surfe internacional, entre eles os australianos Peter Townend, Ian Cairns, Mark Warren e Mike Hurst, além do sul-africano Peter Burness. O Brasil entrou no calendário inaugural, ao lado de Austrália, África do Sul e Havaí. Em 7 de agosto de 1976, o Arpoador recebeu a primeira edição do Waimea 5000. A organização reuniu Nelson Machado, Lívio Bruni Junior, Flávio Dias e Alberto Pecegueiro, da revista Brasil Surf. Com premiação de US\$ 5 mil, o evento trouxe ao País nomes como Randy Rarick, Mike Tagawa, Bruce Jones, Jeff Crawford e Tom Parrish. Na final, Pepê Lopes venceu Jeff Crawford, colocando o Brasil em evidência diante da elite internacional e alçando Pepê para disputar o Pipe Master, no Havaí. A competição feminina, organizada pela Rico Surfboards, teve a havaiana Becky Benson como campeã. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal