Nelson Ferreira terminou em quarto lugar no ranking nacional de surfe em 1987 (Bruno Alves/Divulgação) Nelson Ferreira Netto nasceu em 3 de novembro de 1963, em Vitória (ES), filho do engenheiro agrônomo Nadelson Ferreira e de Cecília Motta Ferreira. Cresceu ao lado dos irmãos Marcos e Maurício, num ambiente que unia família, mar e estrada — combinação que moldaria sua trajetória no surfe capixaba e brasileiro. A relação com as ondas começou cedo. Em 1975, a família passou a frequentar o apartamento na Praia de Camburi, no Espírito Santo, praticamente à beira-mar. Foi ali que Nelson descobriu o fascínio do oceano. A primeira prancha chegou graças à inspiração de um clássico da cultura surfe: o filme Endless Summer. Entusiasmado, o pai viajou ao Rio de Janeiro, entrou na tradicional Galeria River e voltou com duas pranchas: uma Gary Linden 7’0 para Marcos e uma Miçairi fish 5’6 para Nelson. Assim nascia a carreira dos irmãos no surfe. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos anos seguintes, Nelson passou a conviver com os pioneiros do Espírito Santo: Renato Larica, Wellington Borges, Kátia, Esberard e outros nomes que firmaram as bases locais. Formou-se então a primeira “turma” de surfe que o acompanharia pelas praias do estado: Marcos Motta, Saulo, Eduardo Caveirinha, Ricardo Soneghet, Ricardo e Renato Barroso. Outras gerações se destacaram, com Newton Miranda, Robson Baião, Rodrigo Lima, Leandro Moulin, Fábio Borgo, Pedro, Carlos de Andrade, surfistas de Guarapari e personagens como Silvio Juiz Setibão e o irmão Maurício. A exploração de picos ainda pouco conhecidos marcou esse período. Entre eles, Regência, que na época tinha acesso difícil e pouquíssimos surfistas. Nelson e os amigos desbravaram a Boca do Rio, onde encontravam ondas que mais tarde se tornariam referência nacional. A partir daí, o surfe competitivo entrou em sua vida. Campeonatos eram raros, mas Nelson passou a participar de todos que surgiam, acumulando títulos estaduais — entre eles o tricampeonato do Festival JS — e resultados expressivos. Em 1982, foi vice-campeão do Setiba Surf 1, perdendo a final para Daniel Friedmann. Em 1985, no campeonato realizado em Matinhos (PR), Nelson fez história: derrotou os principais nomes do País e tornou-se campeão brasileiro em Matinhos, tornando-se o primeiro surfista do Espírito Santo a vencer um título nacional. A vitória rendeu-lhe uma Chevy 500 zero quilômetro, entregue pelo governador do Paraná e por Juca Barros, num dos eventos mais marcantes daquela década. Em 1987, ano do primeiro Circuito Brasileiro de Surfe Profissional, Nelson consolidou sua posição entre os grandes: terminou em quarto lugar no ranking nacional, à frente de surfistas como Carlos Burle, Fred D’Orey, Cauli Rodrigues e Dadá Figueiredo — nomes que se tornariam referências nacionais. A estrutura competitiva e profissional do surfe brasileiro também o aproximou de um dos nomes centrais da modalidade, ao integrar a equipe Rico de Souza. Depois da Rico Surfboards, Nelson foi patrocinado pela Cristal Graffiti e Billabong pelos próximos 10 anos. Fora das ondas, Nelson construiu família e novas relações com o esporte. Casado com Andréa Ferreira e pai de três filhos — Keone, Marina e Luana Ferreira — viu todos seguirem o caminho do mar. Hoje, morando na Enseada do Suá, em Vitória, Nelson divide a rotina entre o trabalho na Vale do Rio Doce, o surfe e a atuação na Associação Vitória Surf Clube, onde ajuda a organizar eventos para categorias de base e masters. Continua surfando e acompanhando as novas gerações que percorrem os mesmos picos capixabas que ele e seu grupo desbravaram décadas atrás — de Praia Mole a Regência, passando por tantas praias que, um dia, encontraram vazias e perfeitas. A coluna Histórias do Surfe presta sua homenagem ao editor e colunista do Waves, Alceu Toledo Junior. Paz e boas ondas, Juninho! Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal