A Mormaii é uma das marcas patrocinadoras do surfe brasileiro mais longevas (Caio Cezar) Marco Aurélio Raymundo é gaúcho, nasceu em 11 de março de 1949, na Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, mas foi registrado em Guaíba porque o pai, empresário do ramo de transporte, tinha sua empresa de ônibus sediada na região e era responsável pelo transporte rodoviário para o sul do estado. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Quando as pontes que faziam a ligação da capital gaúcha com o interior foram concluídas, a família se mudou definitivamente para Porto Alegre. Na ocasião, Marco Aurélio tinha 10 anos de idade. O mundo se abriu para a criança do interior, impactada pelos valores e padrões da cidade grande. Essa experiência seria importante anos depois, quando Marco Aurélio faria o processo inverso, ao trocar a metrópole pela pacata Garopaba, onde contribuiu para o desenvolvimento social e econômico da cidade catarinense, na época uma vila de pescadores carente de infraestrutura básica e dizimada por uma doença transmitida por um verme, causador de uma epidemia. Apaixonado por surfe desde que dropou suas primeiras ondas em Torres (RS), Morongo conhecia as distantes e inóspitas praias do litoral catarinense. Em 1974, ao sair da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Marco Aurélio decidiu pela vida simples e pelos valores humanitários. Casado, pai de um bebê de apenas 1 ano e movido pela coragem, Morongo perseguiu o seu propósito e mudou o paradigma da cidade. Antes de se formar, o estudante de Medicina percorria de carona as praias do Brasil e diversos lugares da América do Sul para surfar e mergulhar. Numa dessas viagens, a caminho da Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, Morongo teve contato com o revolucionário material usado nas golas das roupas dos mergulhadores de Puerto Madryn, na Península Valdés. Mais tarde, em viagens para os Estados Unidos encontrou o rubatex, um tipo de neoprene, e começou a confeccionar manualmente os seus próprios trajes para encarar a água gelada de Garopaba. O médico vestido de roupa térmica chamou a atenção e os pedidos dos amigos surfistas começaram a seguir um atrás do outro. Com a propaganda popular na região, Morongo se viu obrigado a procurar meios para produzir mais trajes. Ele tomou conhecimento de uma empresa em Caxias do Sul, fabricante de máquinas para a indústria de couro, e que conseguiu adaptar as máquinas para a produção das suas roupas de neoprene. Em 1976, da combinação dos nomes Morongo, Maira (sua esposa na época), e Hawaii, estava fundada a Mormaii, aquela que se tornaria a maior empresa do Brasil e uma das grandes no mundo em artigos para surfe e outros esportes aquáticos. O negócio começou a crescer na medida em que o surfe também se desenvolvia. As revistas especializadas projetaram a marca e o produto em âmbito nacional. Morongo superou a crise dos anos 1980 e 90, licenciando a marca para novos fornecedores que também atravessavam a recessão, ganhando em escala e distribuição. O posicionamento da marca junto ao público jovem atraía novos produtos e mercados. Em pouco tempo, relógios, óculos e outros acessórios da Mormaii ocupavam uma grande fatia do mercado. A Mormaii entrou no século 21 com vigor, experiência e um mix de produtos superior a 5 mil itens. O crescimento atravessou fronteiras, mares e seduziu clientes dos mais exigentes mercados internacionais. Ao todo, são mais de 40 Licenças, 30 Franquias, 15 Studios Fitness, 100 atletas, entre patrocinados e apoiados, dezenas de eventos realizados em parceria e milhares de clientes e amigos que compõe essa imensa família dos esportes livres. O segredo deste sucesso está em atender as necessidades do consumidor em todas as áreas em que a marca atua e lançar equipamentos para os esportistas treinarem em contato com a natureza, garantindo a máxima segurança. Morongo é pai de Flavius, da Mailyn e da Tainah e vive em Garopaba com sua esposa Marisa. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal