Gilberto Nogueira surfando na Praia de Pernambuco, em Guarujá, em 1981 (Paulo Estevaletto) Gilberto Rodrigues Nogueira, o Neguito, nasceu na distante Cristalândia, cidade situada no estado do Tocantins, região norte do Brasil, no dia 28 de fevereiro de 1956. Foi com o padrasto, segundo casamento de sua mãe, Antônia Augusta dos Anjos, que vieram suas maiores influências, valores e educação. Fiscal da Receita Federal, o mineiro Cícero de Souza, homem culto e viajado, escolheu a cidade de Santos para a família morar, enquanto exercia sua função em Brasília. O sobrado da Rua Alagoas, 10, no Gonzaga, era o lar dos sete filhos. Gilberto, o terceiro, despertou para o surfe desde muito cedo. Em 1964, aos 8 anos de idade, ele já brincava nas ondas da Praia do Gonzaga com sua prancha de isopor Planonda. O apelido tem origem familiar e o moleque, rato de praia e de sol, passou a ser chamado Neguito pela sua irmã, Ivanete. Em frente à Rua Maranhão, ele viu o surfe pela primeira vez e se aproveitava das pranchas que eram arrastadas pelas ondas para repetir o gesto dos surfistas. Anos depois, ele comprou uma La Barre Surfboards, guardada na casa do amigo Teteco, na Rua Alagoas, 8, escondida dos seus pais. Surfando no Canal 2, Canal 1, Divisa e Itararé, Neguito conheceu os surfistas e suas maiores influências, entre eles, Cisco Araña, Amarelo, Pestana, Banana, Xisto, Lequinho Salazar, Carlinhos e Dudu Argento e Oracio Cocada. Em 1970, jogando futebol na Praia do Gonzaga, Gilberto viu pela primeira vez uma Mini Model. A prancha pertencia ao surfista Julinho Mazzei, filho do consagrado preparador físico Júlio Mazzei. Foi no seu escritório, na esquina da Rua Quintino Bocaiúva com a praia, que Gilberto conheceu Pelé. O tricampeão do mundo passou a mão na sua cabeça e o gesto virou história entre os amigos que diziam que ele havia sido abençoado pelo Rei do Futebol. A prática de esportes era comum entre os surfistas. Quando não tinha onda, eles corriam e subiam a Ilha Porchat, nadavam no mar ou jogavam bola. Nessa época, o Emissário Submarino estava sendo construído e a formação do Quebra-Mar consolidou um celeiro de grandes surfistas para o Brasil. Essa turma também formou os primeiros salva-vidas surfistas, os primeiros salva-surf, entre eles Adilson Uruca e Quizumba. Ainda em 1970, participou do Campeonato Santista de Surf, o primeiro na história da cidade. Disputado na Ilha Urubuqueçaba, no torneio organizado por Lobinho, Gilberto perdeu a bateria, mas foi convidado para julgar o restante do campeonato, iniciando na função que viria a ocupar profissionalmente na modalidade. Em 1980, Gilberto fez sua primeira viagem de surfe como árbitro e viu um surfista paulista vencer pela primeira vez o Festival de Surf de Ubatuba, com o santista Paulo Rabello rompendo o domínio dos cariocas ao se sagrar campeão brasileiro. Gilberto também julgou o Waimea 5000, em 1980. Disputado no Arpoador, o árbitro conheceu os competidores gringos Dane Kealoha e Bruzzy Kerbox e levou-os na sua Brasília bege para surfar na Praia do Pepino. Em 1982, com os campeonatos de surfe ganhando o sul do País, Gilberto participou do 1º Festival Olympikus, na Praia da Joaquina, marcado pela vitória de Luis Neguinho. Os dois tinham tomado o mesmo ônibus de Santos com destino a Floripa. No início dos anos 1990, Gilberto conseguiu uma carta dos irmãos Mansur, da Black Trunk, e com ela obteve o visto para a Europa. Ele acompanhou os inúmeros brasileiros pelos campeonatos internacionais, entre eles Tinguinha, Almir e Picuruta Salazar, Magnus Dias, Taiu Bueno, Kias de Souza e Wagner Pupo. Sua primeira experiência como árbitro no Circuito Europeu foi em Biscarrosse, na França, em 1991. Gilberto fixou moradia no Velho Continente e julgou grandes campeonatos pelo Circuito Europeu EPSA e ASP World Tour, por 32 anos consecutivos. Ele morou num Camping Car, em Hossegor, e manteve amizade com vários surfistas, tais como David Malherbe e Francois Payot, dono da Rip Curl Europa e presidente da EPSA. Gilberto também surfou e julgou campeonatos pela África, Ilhas Reunião, Inglaterra, Portugal, Itália e Espanha. Gilberto é fundador da Associação Santista de Surf, que ajudou a organizar o surfe de competição em Santos. Ele casou em 1999, é pai de Louis Rodrigues Nogueira Mallet, nascido em Bayonne, na França, e avô de Valentin. Gilberto continua surfando e recebendo convites para julgar campeonatos. Ele também trabalha como estivador no Porto de Santos. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal