Antes de se tornar conhecido como Pardal – apelido dado pelo irmão mais velho, Gabriel Guimarães, o Bel –, Marcelo era apenas mais um garoto apaixonado pelo mar. Nascido em 14 de outubro de 1952, no Hospital dos Ingleses, no Canal 3, em Santos, Marcelo Guimarães, filho do dentista Aristóteles Guimarães e de Nilza Pierry Guimarães, morou inicialmente na Rua Machado de Assis e, depois, na Rua Galeão Carvalhal. Estudou no Anglo Americano, no Santista e no Canadá. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Foi no início de 1964 que sua relação com o surfe começou a mudar. Até então, ele e os amigos da praia utilizavam pequenas pranchas de madeira para pegar ondas de peito, o tradicional jacaré. Frequentando a faixa de areia em frente à Rua Jorge Tibiriçá, onde também se encontrava com colegas do Tênis Clube e da Galeria Ypiranga, Marcelo conheceu dois jovens que acabariam marcando seus primeiros passos no surfe: Miguel Sealy e Bruce Abrantes. Os dois carregavam debaixo do braço uma prancha de madeirite artesanal, de compensado e com belo acabamento em verniz. Marcelo pediu para experimentar. Foi atendido, e ali foi o início do surfe para ele. Naquele mesmo ano, a construção da nova sede do Clube XV, no Canal 3, transformou o entorno em território de brincadeiras da molecada. O cercamento da obra, feito com madeirite, acabou inspirando sua primeira prancha de surfe, uma madeirite pintada azul-turquesa. A experiência, porém, durou pouco. No final de 1964 surgiram as chamadas “caixas de fósforo”, pranchas ocas, com maior flutuação, que permitiam melhor aproveitamento das ondas. Em meados de 1965, as pranchas revestidas em resina com fibra de vidro, mudaram novamente o cenário. No Canal 3 circulava uma prancha havaiana da marca Tiki, de Allan Torrecillas, além de algumas Glaspac produzidas em São Paulo. Já no Itararé, surfistas experimentavam modelos artesanais, enquanto no Canal 1 Jô Hirano também confeccionava suas próprias pranchas. A busca por equipamentos mais modernos levou Marcelo ao Rio de Janeiro. Em uma viagem com o pai, conheceu a cena do Arpoador e, em uma roda de conversa, aproximou-se do grupo de surfistas, entre eles Carlos L’Astorina, o Mudinho. Foi ali que comprou sua primeira prancha de fibra de vidro: uma São Conrado de isopor, com 3,1 metros, de bordas pretas. Alguns anos depois, em 1968, voltou ao Rio com o pai e Miguel Sealy, o Cascata, em um Karmann Ghia branco com teto solar. No Arpoador, adquiriu uma Harbour Surfboards. Naquele período, uma turma de cariocas também passou a frequentar Santos, entre eles Rico, Mudinho, Beto Loiro e Bochecha. No 1o Campeonato Aberto do Ilha Porchat Clube, em 1968, Mudinho venceu a categoria Sênior, Carlos Argento, a Juvenil, e Rico de Souza, o Dentinho, a Infantil. Marcelo Pardal, ainda se adaptando à nova Harbour, terminou em oitavo. Meses depois, no primeiro torneio de surfe realizado em Santos, no Canal 3, pelo Caiçara Clube, Pardal começava a mostrar que seu nome também entraria para a história. Na categoria Júnior, Carlinhos Argento venceu, Dudu Argento ficou em segundo e Marcelo Pardal, representante do Big Kahuna Surf Club, terminou em terceiro. O ano ainda guardaria uma novidade. Em outra viagem ao Rio, no final de 1968, recebido pelo amigo Rico, Marcelo conheceu o shaper Cyro Beltrão, que trabalhava na Barra da Tijuca. Encomendou ali uma Cyro Surfboards que se tornaria uma das primeiras minimodels utilizadas em Santos. O garoto que começara no “jacaré” estava prestes a descobrir que as pranchinhas mudariam para sempre a maneira de surfar. A sequência dessa história será contada na próxima coluna. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal