Turma do Canal 3 se reúne no casamento de Heraldo e Gisele, em 12 de janeiro de 1983 (Divulgação) No verão de 1969, a Praia das Pitangueiras, no Guarujá, foi o palco de uma revolução no surfe estadual. O terceiro Campeonato Paulista de Surfe, organizado pelo Clube da Orla, não foi apenas mais uma competição: foi o marco da chegada definitiva das minimodels ao Litoral paulista, quando os longboards de 3,2 metros evoluíram para pranchas de 2,3 metros, transformando radicalmente o estilo de surfar da época. Diferente dos antigos pranchões, as novas pranchas permitiam um aproveitamento de onda até então impensável, abrindo espaço para manobras rápidas, batidas agressivas e projeções precisas nos tubos. O mar, contudo, não facilitou a vida dos competidores. Com a região litorânea atingida por uma forte ressaca, o campeonato precisou ser adiado duas vezes. Apesar das condições severas, o evento bateu o recorde de inscritos da história do surfe paulista até então. Na categoria Sênior, Frigerio e Christian Frutig terminaram empatados na primeira colocação e José Paulo Sacramento na segunda. Já na categoria Júnior, o protagonismo foi do jovem de Santos: fazendo excelentes conexões de ondas com sua inovadora Cyro Surfboards, Marcelo Pardal deu um show de performance, dominando o mar e conquistando o primeiro lugar ao lado de Dudu Argento. O feito consagrou Pardal no cenário regional, mas a comemoração ainda traria um desfecho inusitado. Logo após a premiação, ainda com os pés na areia, um garoto de São Paulo ficou fascinado pela minimodel campeã. De tanto insistir com o pai, o garoto fez uma oferta irrecusável: Marcelo vendeu a prancha na hora. De volta a Santos com dinheiro no bolso, Pardal uniu forças com os amigos Miguel Cascata (Mike) e Toninho Tartaruga. Decidido a investir em novos equipamentos, o trio procurou Nelson, dono da fábrica de pranchas Morsa Surfboards, localizada na Rua Oswaldo Cruz, no Boqueirão, e adiantou uma quantia considerável para a confecção de novos blocos. Naquele período, Mike, que prestava serviços para a oficina, conseguiu a receita da fórmula química para a expansão do poliuretano. A primeira tentativa de fabricação caseira parecia um desastre: sem a adição de gás, a mistura não reagiu. Quando introduziram o componente correto, a espuma subiu com tanta força que estufou a fôrma de madeira. Eles perceberam que tinham em mãos uma verdadeira mina de ouro – o segredo para produzir blocos de poliuretano, a matéria-prima para a fabricação de pranchas. O entusiasmo, porém, durou pouco. Em uma reviravolta amarga, o dono da fábrica desapareceu de um dia para o outro. A pausa das praias duraria algum tempo. O garoto que ajudou a moldar a era das pranchinhas só retornaria ao surfe movido pelo puro lazer e pelo amor ao oceano. Mais tarde, respeitado pela sua trajetória, retornaria ao cenário competitivo como um dos organizadores, ao lado de Nobregão, do clássico Campeonato Rock Point, nome inspirado na conhecida Loja do Tica, situada no Shopping Parque Balneário. A competição, disputada nas praias de Guarujá, nos anos de 1978 e 1979, contou com o patrocínio da Gledson, uma marca de prestígio no universo da moda. O Tombo Boy, Paulo Rabello, um dos melhores surfistas brasileiros da história, sagrou-se bicampeão do torneio. Marcelo Pardal, que é pai de Marcela e Bruna Guimarães, vive em Registro ao lado da companheira, Mara Nunes, onde mantêm um comércio pet, a Cão Brasil. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal