(Divulgação) Depois de formado pela Universidade de Hilo, Jackola voltou para Oahu e começou a trabalhar de forma independente para a Lightning Bolt de Jack Shiply e Jerry Lopez. Ele shapeava, laminava e reparava as pranchas da marca na garagem da sua casa alugada de frente ao pico “turtles”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nessa época, ele conheceu o brasileiro Yso Amsler, numa competição de longboard em Waikiki. O novo amigo falava muito sobre o Brasil e a ideia de conhecer o país da América do Sul começou a ganhar forma. Para abrir uma oportunidade de negócios, Jackola abordou Jack Shiply, dono da Lightning Bolt, que aceitou a proposta de levar a marca para o Brasil. A viagem para o Hemisfério Sul da América começou com a compra de um Volkswagen usado em São Francisco. Em San Clemente ele procurou Tom Morey, o idealizador do bodyboard. Nessa época todas as pranchas da Morey Boogie eram produzidas na sua garagem, Jackola ganhou um exemplar e rolou até um papo de trazer a novidade para o Brasil. Depois do encontro, Jackola dirigiu pela costa até a Baja Califórnia, dali até a costa leste do México, depois cruzou de volta para o Pacífico, continuou pela Guatemala até El Salvador, onde ficou por um mês surfando na companhia de amigos, em El Sunzal, La Libertad. As ondas quebravam do lado de fora das pedras rochosas. No Panamá surfou na Playa Red Frog. Na capital panamenha, Jackola despachou o carro em um navio a vapor e voou até Lima, no Peru, para rever alguns amigos peruanos. O trajeto terminou quando aterrissou em solo brasileiro, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando começa sua história no Brasil. A primeira impressão de Jackola foi o cheiro de café no aeroporto e o povo brasileiro, de todas as cores e formas. Yso recepcionou o amigo gringo e o levou até a casa dele na Urca, bem perto da Praia de Fora. Jackola fez sua primeira prancha com o emblemático raio, na oficina de Yso para Egas Muniz, o melhor surfista paulistano da época. Nas diversas viagens para São Paulo, na companhia de Yso, Jackola conheceu os surfistas paulistanos que surfavam nas praias do Guarujá, entre eles o Thyola, um experiente glasser, criador da Moby Surfboards. Em 1975, Jackola mudou-se para São Paulo e os dois se associaram para a fabricação das pranchas Lightning Bolt. No início Jackola e Thyola trabalhavam no subsolo e na cobertura do prédio na Rua dos Ingleses, onde Thyola morava com os pais. Jackola fazia o shape, Thyola o glass e seu irmão Madinho o acabamento. Depois a oficina passou a funcionar num terreno ao lado da casa de Rosana, na Barra Funda, na Praia de Pitangueiras, em Guarujá, até o fim do contrato de locação do imóvel. Thyola então fez a proposta para mudar a fábrica para a casa dos pais de Rosana, na Rua Brasil, 276. Eles aplicaram todo o dinheiro do trabalho na construção da futura fábrica, arquitetada pelo próprio Thyola. Com a mudança, o gringo também passou a morar na casa da amiga. Madinho, irmão mais velho de Thyola, continuou morando em São Paulo. Foi ele quem apresentou Jackola ao Dany Boi no Pacaembu. Dany Boi se tornou peça chave para a confecção da linha surfwear da Lightning Bolt no Brasil. Pela Lightning Bolt, Jackola e Thyola fizeram um contrato de aperto de mãos e juntos produziram mais de 600 pranchas entre os anos de 1975 e 1979. O shaper californiano transferiu seu know-how, novos materiais, pigmentos e técnicas inovadoras aos brasileiros. Pela primeira vez os surfistas brasileiros puderam comprar uma prancha com a mesma qualidade dos produtos da Califórnia, com a contribuição da cultura brasileira. Hoje, Jackola está aposentado, vive em um condomínio de frente para a praia de Makaha no Havaí. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal.