[[legacy_image_232843]] Paulo Lichtner, filho de pai austríaco e mãe egípcia, nascido em São Vicente em 28 de janeiro de 1956, sempre morou perto da praia, na Rua da Constituição, Itararé, e aproveitava o mar surfando de jacaré sobre as pranchinhas de isopor da Planondas. Aos 10 anos, atraído pelo surfe, experimentou uma prancha emprestada do primo do Nei Sobral, o Paulo César Sobral. Um ano depois, Paulo Lichtner ganhou uma minimodel, produzida por Eduardo Argento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Além dos amigos do bairro, entre eles seu futuro sócio Alemão, a influência partiu dos mais velhos que já surfavam e faziam sucesso na Divisa e no Itararé, como os irmãos Argento, Nelson Exel, Quizumba, Lagartixa, Cocó, Vicente Ferraro e Odailton. Dois meses de vida separavam Paulo do amigo e sócio Edison, unidos pelo surfe e por uma ideia. Edison Gloeden, o Alemão, é paulistano, filho de pai alemão e mãe espanhola. Nasceu em 29 de março de 1956, mas chegou a Santos aos 11 anos de idade para morar na Divisa. Foi quando ficou impressionado ao ver um surfista deslizando numa onda e conheceu o surfe. Com dificuldade, conseguiu uma Planondas, cobriu com morim e deu um banho de Pinholac. Sem a estabilidade das pranchas grandes, Alemão pegava onda de joelhos sobre a pranchinha. Nessa época ele conheceu o Maneco, vizinho no mesmo prédio que encomendou uma prancha caixote. Alemão tomava emprestada a prancha e evoluía no surfe. Foi assim que ele também conheceu o Paulo, e juntos acompanharam a evolução das pranchas para as minimodels. O impulso para a fabricação de pranchas se deu por questões econômicas, falta de dinheiro para comprar e a oportunidade para produzir e ganhar uma grana. Em 1969, Paulo e Alemão fizeram as primeiras pranchas de isopor e glass com resina poliester isolada com celofane no fundo da casa dos pais de Paulo. No fim desse mesmo ano, lançaram a marca Seal Surfboards e as encomendas foram acontecendo uma a uma. O nome Seal nasceu por acaso. Ao tentar desenhar um tubo, o movimento da onda ficou parecido com uma foca (Seal em inglês). O visual das pranchas pintadas à mão fazia muito sucesso. Os primeiros surfistas a pertencer à equipe foram Edu Lichtner, irmão de Paulo, e Jaime Ventania, um dos amigos que surfava junto a eles nos primórdios do surfe. A dupla seguiu em surftrips pelo Litoral Norte, quando a estrada ainda era de terra e as pontes de madeira, um imenso paraíso que a especulação imobiliária interferiu. Numa dessas viagens, seguiram até o histórico Festival Brasileiro de Surf de Ubatuba, em 1972, quando conheceram os grandes nomes do surfe nacional, entre eles Rico de Souza (o campeão), Mudinho e Daniel Friedmann. Apesar do visual deslumbrante, os perrengues também foram inesquecíveis. Num dos surfaris, a bordo da Toyota Bandeirantes dos Twin, Alemão e Dudu voltavam de um fim de semana prolongado. Chovia torrencialmente numa noite escura. Quando eles se aproximaram da ponte do Rio Guaratuba, foram atraídos por algumas pessoas acenando. Eram cinco japoneses, todos de cueca, que tinham errado a ponte e caído com o Opala dentro do rio. A qualidade do surfe evoluía junto com os novos materiais e processos. Até 1974, a Seal utilizava isopor com epóxi. A partir daí utilizaram o poliuretano. Ao todo, a Seal Surfboards atingiu uma estimativa de mais de mil pranchas produzidas pela dupla, com Alemão no shape e Paulo na laminação. Nos anos 1980, a Seal se reinventou. Alemão cursava Arquitetura e fazia adesivos para defender seus ganhos. Paulo retornou ao Brasil depois de uma temporada na Europa e a sociedade foi retomada. A Seal renascia na área da serigrafia. Atualmente, a empresa soma mais de meio século de uma sociedade e amizade que nasceu no mar. Acompanhe nossas publicações no facebook e no instagram @museudosurfesantoS.