[[legacy_image_265377]] Carlos e José Ozores gostavam de coletar conchas e caramujos nas marés baixas e em mergulhos costeiros, porém enquanto o pai fez do hobby um colecionismo, o filho preferiu as aventuras na superfície do mar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Essa paixão pelo oceano, José Antônio Magalhães Ozores herdou do pai, o arquiteto Carlos Ozores. Nascido em Santos, no dia 15 de dezembro de 1953, uma das primeiras aventuras de José foi na Ilha das Palmas. A criança tomou um caldo de um amiguinho que tentava subir nas suas costas. Ele tinha apenas cinco anos, perdeu os sentidos e acordou em casa. Outra diversão dos Ozores era pegar a estrada com a Kombi. Carlos tomava o rumo do litoral norte de São Paulo com seus nove filhos. Essa grande família morava num casarão na Rua Júlio Conceição. José Ozores fez o primário e o ginásio no Colégio Tarquínio Silva, onde as aulas de artes industriais eram estimulantes para a mente criativa dos jovens alunos. No colégio, Ozores conheceu o Giba e com ele se aproximou do surfe e das pranchas de madeirite e caixas de fósforo que brotavam na Rua da Paz. Assim como os outros garotos, ele fez da sobra de madeirite das obras a sua primeira prancha. Em 1967 o amigo Giba apareceu com uma prancha oca de fibra, mudando a relação com as pesadas pranchas de madeira. Ozores surfou com a prancha emprestada até ganhar sua Glaspac, sonho de consumo da rapaziada. Ozores fez parte da turma do Canal 3, junto aos irmãos Corazza, Lafraia, Betinho Medeiros, Zizi Passarelli, Marcelo Guimarães, Miguel Sealy, Petito e outros. Os amigos preferiam as ondas do Itararé, entre a Ilha e a Pedra da Feitiçeira. A galera não parou de acompanhar a evolução das pranchas. Na Surfer Magazine as Mini Models já eram uma realidade, por isso Ozores resolveu adaptar o seu longboard Glaspac. A providência ficou a cargo do shaper João de Deus. Na garagem da casa do Giba, na Jorge Tibiriçá, João cortou a prancha para chegar no modelo Diamond. Acabou não dando certo. Uma nova tentativa foi feita. O surfista ganhou uma placa de clark foam, João de Deus fez o shape, Ozores tentou dar um glass, mas errou no catalizador. Ele recorreu aos irmãos Twin, que minimizaram o estrago. As pranchas não eram baratas, mas a generosidade dos amigos mantinha todos dentro da água. Uma das pranchas marcantes usada por Ozores foi uma Webber Surfboards da amiga Carla Canepa. Junto ao Giba e sua Cyro Surfboards, encarou alguns mares inesquecíveis nas Astúrias. A Praia do Pernambuco era outro point que a galera frequentava. Distante do centro, a praia tinha poucas edificações, entre elas o Hotel Jequitimar e a casa do publicitário Alcântara Machado. Era um verdadeiro paraíso. Sua última prancha foi um modelo Gary Linden, fabricada por Homero, mas ele acabou deixando o surfe quando se mudou para São Paulo para cursar o colegial e começar a trabalhar. José Ozores conheceu o universo financeiro trabalhando numa corretora de valores. Formado em economia, passou boa parte da sua vida no mercado de capitais. Ele retornou a Santos, para o mercado futuro de café na firma do Fernando Suplicy. O irmão Jorge Ozores passou a surfar com a prancha Homero até sua doação para o Acervo Municipal/Museu do Surfe. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal