[[legacy_image_267066]] O ano de 1957 nasceu com Lequinho. Alex Salazar, o Lequinho, veio ao mundo no dia 1º de janeiro, sendo o primeiro dos três filhos de Alexandre e Adair. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Foi trabalhando na reforma e pintura de casas e prédios com o pai Euleoterio que Alexandre, o Bigode, garantia o sustento do lar. O galã do Marapé, de família humilde e trabalhadora, gostava de jogar bola pelo time do Califórnia Atlético Clube, enquanto o filho Lequinho, uma grande promessa do futebol, surfava suas primeiras ondas no Canal 1 com seus irmãos Almir e Alexandre, o Picuruta. Bigode viu a empolgação e o potencial das crianças e decidiu investir no surfe. Em 1968, ele tomou a iniciativa e comprou um longboard Glaspac muito velho, por 100 cruzeiros. A pesada prancha era carregada pelos três irmãos até a praia e a jornada terminava dentro do canal, numa remada puxada até em casa, quando a prancha virava uma embarcação. Lequinho e os irmãos evoluíam rapidamente no surfe, enquanto os estudos eram deixados de lado. O mais velho dos Salazar poderia ter sido jogador, formou no Dente de Leite do Santos e depois no profissional da Portuguesa Santista, mas acabou enveredando para o surfe. Seu grande parceiro era o Adilson Uruca, da Turma da Vilinha do Canal 1, onde formava também o Miguel, o Frank, o Silvério, entre outros. O pai incentivou de toda a forma possível, mas deixou claro a responsabilidade pelas escolhas dos filhos: “Se vocês querem surfar, terão que viver disso e se sustentar”. A partir daí, a escola virou praia. E a praia, a escola da vida. Lequinho virou um protetor, num ambiente hostil que hoje a cidade de Santos não tem mais. As praias não eram limpas e nem sempre bem frequentadas, enquanto o Guarujá era a Pérola do Atlântico e o Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. Quando atravessava a balsa, o pau comia, porque no Guarujá existiam os locais, filhos de pescadores que também enxergavam o surfe como uma oportunidade para vencer na vida. Os santistas lutavam para conquistar o espaço e às vezes isso terminava em briga nas praias. Lequinho tinha o temperamento forte e segurava a onda dos irmãos e amigos. Se tivesse confusão, Lequinho resolvia. Com a separação dos pais, Lequinho passou a cuidar dos irmãos. Almir, o irmão do meio, gostava muito de pranchas, fazia remendos ou reformava pranchas antigas. Em 1979, o pai, vendo a aptidão do filho, investiu na montagem de uma fábrica, no quintal de casa. Em 1983, Lequinho se juntou ao irmão como sócio e laminador na nova fábrica do Morro da Divisa. No surfe, Lequinho gostava de ondas grandes e era versátil. Canhoto, surfava nas duas bases para ambos os lados. Seu temperamento salgado contrastava com um lado doce, até poético. Escrevia cartas e tinha a letra perfeita. Em 1980, recebeu o maior presente em vida: sua linda filha, Kamila. Lequinho nasceu abrindo o ano e se despediu cedo da vida ao findar outro ano. Sua trajetória foi abreviada no dia 31 de dezembro de 1987, um dia antes de completar 31 anos. O seu legado nas ondas continuou. Seu irmão, o maior colecionador de títulos do mundo, Picuruta Salazar, venceu uma disputa espetacular contra Dadá Figueiredo. O carioca era o expoente de uma nova geração de surfistas. Porém naquele dia, em maio de 1988, nada nem ninguém tiraria o título de Picuruta no Torneio Niasi/Tribuna FM. A vitória histórica foi dedicada ao irmão e muito festejada. A morte de Lequinho era recente e mexeu com a estrutura da família. Picuruta comemorou a vitória abraçado ao pai, imortalizando a memória do irmão. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal