(Reprodução) A vontade de surfar para sempre criou a ManSurf. O jovem e estudante Elias passou assinar suas provas e trabalhos no Colégio Tarquínio Silva como ManSurf. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em 1968, a família deixou a casa na Avenida Washington Luís que deu lugar a um prédio cheio de andares para morar na Rua Embaixador Pedro de Toledo com a Rua da Paz, no Edifício Santa Adelaide, um reduto da geração mais antiga de surfe em Santos, um lugar mágico como outros que o surfe conduziria os Manzur. Era a Califórnia de Santos. Nessa época, os irmãos usavam jeans cortados pelo joelho para surfar e o pai, Alberto Manzur, dono de confecção, viu a necessidade e bolou um modelo em helanca, um tecido novo e moderno quando ainda não existia a lycra. O modelo serviu até o amigo Ronaldo Mesquita apresentar uma bermuda de nylon, tecido leve e de secagem rápida. Alberto percorreu os potenciais fornecedores e comprou alguns metros para produzir cinco bermudas para apresentar aos amigos surfistas dos filhos. Elias fez mais do que isso: vendeu as 5 bermudas por Cr\$ 50 cada uma e voltou para casa com Cr\$ 250 no bolso. Alberto vislumbrou bons negócios e o surfe nunca mais saiu das vossas vidas. No dia seguinte, eles foram até Americana, cidade referência na indústria têxtil, entupiram a Variant de rolos de tecido e começaram a produção de bermudas para o surfe, provavelmente tornando a recém-criada ManSurf, a primeira marca a abraçar esse nicho em escala industrial em todo o Brasil. Nesse ano de 1969, a primeira loja e fábrica ManSurf foi instalada no Centro de Santos na Rua General Câmara, 124, com inúmeras costureiras, diversas máquinas de bordar e estampar camisetas, vendidas para todo o Brasil por reembolso postal através da Revista Pop, uma publicação dedicada aos jovens, com matérias de surfe, skate e hippie no tempo em que não existiam revistas especializadas em surfe. Na Baixada, a ManSurf atendia diretamente clientes e amigos como o Homero em sua loja e fábrica de pranchas, a Twin dos queridos irmãos Argento, Carlinhos e Eduardo, a Dhemy, a Roni Surf, além de outras em Sampa e Litoral Paulista. No ano de 1970, a família morou no José Menino, entre a Ilha Urubuqueçaba e a Pedra da Feiticeira, de frente às melhores ondas de Santos, lugar mais constante e consistente para surfar, além do visual de botos, arraias, tartarugas e cardumes prateados de peixes surfando ao lado. O apartamento em que moravam tornou-se a Embaixada da Turma do Canal 3, onde muitos amigos deixavam suas pranchas para surfar aquelas ondas fortes e longas, integrando os surfistas do Canal 3 e da Turma da Zona do Agrião, dos prédios Pé na Areia. No ano seguinte, Celina Manzur ficou grávida do caçula Antônio Alberto, o Tuca, e escolheu mudar para um lugar mais isolado e tranquilo: a Porta do Sol, do outro lado da Ponte Pênsil. As casas acessavam o mar pela sua longa escadaria, de onde era possível remar até as ondas que quebravam de lado na prainha, em suas longas e perfeitas direitas, ou simplesmente contemplar os golfinhos perseguirem as manchas prateadas de sardinhas depois de uma chuva de verão. O ano de 1972 chegou e buscando um lugar mais seguro para criar o Tuca, a família Manzur voltou para Santos, mais precisamente em cima do Cine Roxy, no Gonzaga. Nesse mesmo ano ocorreu a viagem ao Rio de Janeiro para conhecer a loja Magno, referência em loja de surfe no Brasil, à época. O gerente ficou amarradão na compra dos Manzur e atendendo à solicitação de Alberto sobre lojas para alugar, indicou um ponto que ficava ao lado. Alberto pegou o telefone e marcou uma hora para fechar o negócio. Era o início da loja ManSurf do Rio de Janeiro, entre Ipanema e Copacabana, na Gomes Carneiro, 138. Essa rua levava até o Píer de Ipanema, um lugar onde quebravam ondas ao estilo North Shore, esquerdas buracos, super rápidas. Em 1975, conquistaram imenso público com as camisetas e bermudas da marca Internacional Bolt. Na loja do Rio, os irmãos Wady e Fuad trabalhavam junto com a mãe, Celina, vendendo no Atacado e no Varejo. Elias e Alberto ficavam na loja e fábrica de Santos. Toda semana eles pegavam a Via Dutra e faziam a estrada indo e vindo ouvindo Santana, Led Zepellin, além de boleros, tangos e orquestras. Na década de 1980, Wady iniciou a marca Black Trunk no Brasil. Além das vendas, dedicou-se como surfista competidor, com ótimos resultados. Fuad continuou o seu trabalho de pesquisas nas parafinas para as pranchas, tornando a Fu-Wax a melhor parafina do mundo, exportada para os diversos paraísos do surfe do planeta. Em 1972, Elias abriu, em parceria com a Sandrinha, sua namorada na época e hoje esposa há mais de 40 anos, uma loja ManSurf na Galeria 5a Avenida. Ele continua surfando, produzindo leashs e imprimindo camisetas. Guiados pelos sonhos, criatividade, coragem e esforço, os Manzur continuam vivendo no universo alternativo e mágico do surfe. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal