[[legacy_image_321476]] Depois da destituição do rei Faruk, o líder da Revolução, Gamal Nasser, assumiu o poder no Egito em 1954. Por trás do golpe militar, havia a insatisfação pelas décadas de domínio inglês na região agravada pela derrota das monarquias árabes frente ao novo Estado de Israel, recém-criado. A rejeição aos ingleses e judeus impactou diretamente na vida do comerciante Marcelo e da professora Frida Lagnado. O casal judeu sentiu a perseguição na pele pela ditadura de Nasser, emigrou para a vizinha Itália e atravessou o Atlântico até o Uruguai para finalmente chegar ao Brasil. O País, livre e democrático, recebeu de braços abertos os imigrantes. Estabelecidos em São Paulo, no Bairro Higienópolis, Marcelo e Frida tiveram os filhos Karl, Alfio, nascido em 9 de dezembro de 1960, e Silvana. No início dos anos 1970, a família viajou muito para as praias do Guarujá, onde passava os fins de semana e férias. Frida gostava de organizar piqueniques nas distantes e paradisíacas praias de Pernambuco e Iporanga ou pescarias com os filhos na Praia das Astúrias. O canto das Astúrias era local dos pescadores e caiçaras. Uma criança que frequentava o lugar e ajudava a desenroscar os anzóis dos turistas atendia pelo apelido de Tinguinha, virou amigo e anos depois se revelou como um dos maiores surfistas brasileiros, patrocinado pela Hang Loose, de Alfio. O surfe surgiu na vida de Alfio quando apareceu uma prancha Glaspac largada na garagem do Edifício Caraíbas do Guarujá. Pesada para os garotos, o barraqueiro do prédio transportava a prancha junto com as barracas e cadeiras até a praia. Influenciado pelo irmão Karl e pelo amigo Paulo Tendas, o surfe tomou conta da vida de Alfio. Com sua primeira prancha, uma Johnny Rice vermelha e amarela, apelidada de bananinha, o surfista alternava entre o Monduba e o canalzinho das Pitangueiras. Alfio, um dos principais nomes do surf business brasileiro, começou na indústria do surfe pelo ofício da mãe. Frida era sócia da tia numa pequena confecção de roupas para senhoras. Como havia uma demanda por produtos voltados ao esporte, Alfio aproveitou a onda e passou a atender algumas marcas, inclusive a OP do amigo Sidão Tenucci, em 1979. Numa viagem para o Havaí, ele teve o contato com a lendária tradição do Shaka Brah, famoso cumprimento havaiano, e assim, na criação de sua marca própria no Brasil, surgiu a Hang Loose, em 1982. A marca cresceu rápido. Jovem e arrojado, Alfio iria protagonizar pouco tempo depois um dos maiores feitos para o surfe brasileiro. Em 1986, a Hang Loose abraçou a ideia de realizar uma etapa do Circuito Mundial no Brasil. O risco era muito grande, mas o país vivia uma euforia econômica causada pelo Plano Cruzado e política pela libertação pós-ditadura. Além disso, Alfio sabia que o sonho de todo surfista brasileiro era ver os maiores ídolos mundiais surfando por aqui. O Hang Loose Pro Contest 86, na Praia da Joaquina, foi um sucesso, um marco para o surfe brasileiro e um verdadeiro boom para a marca. Em 1988, Fábio Gouveia, patrocinado pela Hang Loose, torna-se o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe, ao vencer o Campeonato Amador, em Porto Rico. A Hang Loose, então, contrata Teco Padaratz para junto ao Fábio Gouveia participar do Circuito Mundial de Surf Pro. Alfio começou a competir de longboard enquanto acompanhava Teco e Fabio no Tour. Dos surfistas que acompanhou pelo mundo, Paulo Tendas, Fábio Gouveia, Picuruta Salazar, Occy, Tom Carrol e Gabriel Medina foram suas maiores inspirações. Das ondas que surfou, Macaronis, em Mentawai, foram suas preferidas, permitindo sua manobra preferida: tubos perfeitos. O sucesso do empresário brasileiro atraiu o interesse internacional. Alfio recebeu o convite de amigos argentinos para distribuir a marca Reef no Brasil. Com o passar do tempo, a Hang Loose se tornou Surf Co. ao incorporar as licenças de marcas internacionais como Oakley, Quiksilver, Roxy, DC, Volcom e Rusty, e depois HUF, Vissla, Hurley, entre outras. Alfio é pai de Victor, Arthur e Catarina, surfistas e herdeiros da sua paixão pelo mar. Casado com Martina Svensson, Alfio credita o sucesso da Hang Loose por se manter fiel ao seu DNA, a do surfe como essência. O fato é que a marca, 100% brasileira, segue encantando os surfistas, ao longo dos seus 40 anos de existência. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantosCoordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal