Nascido em 6 de junho de 1952, na Clínica Subriez, na cidade de Vevey, na Suíça, George Alexander Pretyman cresceu entre diferentes culturas, viagens e esportes. Filho de pai inglês e de Vera de Sá Sotto Maior, que se tornou Vera Pretyman, viveu uma infância marcada pela história singular de sua família. Seu pai estudou Engenharia Agrônoma no Brasil e trabalhou no país. Depois de perder a primeira esposa, com quem teve uma filha, Walter Pretyman conheceu Vera em Londres, durante uma viagem dela. De volta ao Brasil, construiu uma trajetória ligada à atividade agrícola, organizando uma usina que chegou a reunir cerca de 500 colaboradores. Também se dedicou à criação de cavalo e ao polo equestre, tendo introduzido a prática no Gávea Golf Club, instituição que presidiu por 17 anos. Em 1967, Walter recebeu da rainha Elizabeth 2ª o título de cavaleiro-comandante da Ordem do Império Britânico, uma das distinções honoríficas concedidas pela monarquia britânica. Vera, a mãe, era poliglota, viajada e interessada em diferentes culturas. No Rio de Janeiro, se dedicou à assistência social e fundou uma creche que recebeu seu nome. George tinha o irmão William, um ano e meio mais velho, e dois meio-irmãos mais velhos: Christina e Edward Carlos Plunkett, que viviam na Inglaterra. A família Pretyman mantinha residências em Campos dos Goytacazes e no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, George estudou no Colégio São Patrício, em Botafogo, e no Colégio Andrews. Mais tarde, cursou até o terceiro ano de Engenharia de Produção na UFRJ. Sua relação com o surfe começou em Copacabana, em 1964, quando frequentava a praia com a família. Na época, antes das mudanças provocadas pelo aterro, entrava nas ondas de peito e usava uma pequena prancha de madeirite. A primeira lembrança de surfistas com pranchas de fibra veio do Arpoador, em 1968. Depois de comprar uma prancha São Conrado, começou a ficar em pé nas ondas de Copacabana e passou a surfar no Arpoador com colegas do Andrews, entre eles Sérgio Bastos, Roberto Borlido, Cláudio Schneider e Ricardo Lozinsky. No final dos anos 1960 e início dos 1970, o surfe carioca começava a se firmar como cultura de praia. Copacabana, Arpoador e o Píer de Ipanema faziam parte dessa transformação, marcada pela aproximação entre surfe, música e novos comportamentos. George atravessou esse período de mudanças quando uma geração passou a encontrar nas praias uma forma própria de viver e se expressar. Com Pepê Lopes, o melhor surfista e desportista daquela era, George Pretyman criou a marca Pripe Surfboards, nome formado pela combinação de Pretyman e Pepê. Em 1973, em uma de suas três viagens ao Havaí, George surfou Velzyland, uma onda frequentada por jovens talentos como Michael Ho e Timmy Carvalho. Levou aos havaianos o disco recém-lançado no Brasil, Acabou Chorare, dos Novos Baianos, com músicas de Moraes Moreira e Pepeu Gomes. Os locais gostaram do álbum, cantaram Preta Pretinha e, segundo George, passaram a deixá-lo surfar livremente. A música sempre esteve presente em sua vida, embora tenha começado a se dedicar ao canto somente depois dos 40 anos. Outra descoberta importante aconteceu em 1974, também no Havaí: o ki-aikido. Tornou-se mestre de quarto dan e continua ensinando a prática diariamente, onde quer que esteja. Entre o mar, a música e as artes marciais, George construiu uma trajetória na qual o surfe é parte de uma história mais ampla de experiências, encontros e descobertas. Observação: O Museu do Surfe de Santos presta sua homenagem à memória de Telma de Souza, prefeita responsável pela inauguração, em 1991, da primeira escola pública de surfe do Brasil. A iniciativa foi conduzida pelo então secretário municipal de Esportes, Ouhydes Fonseca, e idealizada por Marcello Árias Danucalov, tornando-se um marco para a história e políticas públicas do surfe. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal