Flávio Padaratz hoje atua como dirigente (Divulgação) Os Padaratz são oriundos de Preslov, na Polônia, próxima de Stetin, cidade alemã do outro lado da fronteira, onde residia a outra parte da família. Eles emigraram para o Brasil e cresceram em Ibirama, norte de Santa Catarina, antes chamada de Nova Preslov e Nova Stetin, antigos núcleos de colonização polonesa e alemã no Brasil. Os seus descendentes se espalharam pelo estado catarinense e encontraram Blumenau, outra cidade com forte presença de imigrantes alemães e poloneses. Foi lá que eles se estabeleceram, tornando possível o encontro de Percy Padaratz Júnior e Madrison Espíndola, pais de Charles, Flávio e Percy Padaratz, todos surfistas. Conhecidos como Teco e Neco, os filhos mais novos se tornariam dois dos mais bem-sucedidos surfistas brasileiros da história. Flávio Padaratz nasceu em Blumenau, Santa Catarina, em 19 de abril de 1971. O apelido foi dado pelo avô, inspirado no simpático esquilo Teco, da dupla famosa de personagens da Disney, Tico e Teco. Em 1978, a mudança da família, do interior para o litoral catarinense, iria impactar profundamente na vida dos irmãos Padaratz. Vivendo em Balneário Camboriú, os meninos conheceram o mar e o surfe. Encantado pelo esporte, Teco, aos 10 anos, trocou os pneus novos e arrojados da sua bike pela prancha do vizinho, feita de isopor com quilha de madeira colada com durepox. Ali começou o surfe na vida de Teco. Nessa época, suas grandes referências locais foram Davi Husadel e Waldemar Wetter, o Bilo. Depois, surgiram os ídolos que apareciam nas grandes revistas como os brasileiros Picuruta Salazar, Tinguinha Lima e Fred D’Orey e os gringos Tom Carroll, Tom Curren, Mark Occhilupo e Martin Potter. A partir daí seu mundo virou. Ele sonhava com a vida surreal de surfista pelo planeta. Teco ainda estudava em Itajaí, cidade vizinha, enquanto avançava no surfe. A sua primeira prancha exclusiva foi feita pelo shaper Paulo Pequeno, da Marbella Surfboards. Ele resolveu dar um apoio ao surfista promissor e lhe fez uma prancha, em 1983. A parceria com Avelino Bastos, da Tropical Brasil, ocorreu logo depois, no ano seguinte. O famoso shaper catarinense tornou-se também o seu tutor. Por influência de Avelino, Teco começou a ganhar o mundo. Em 1987, viajou para os Estados Unidos, para fazer um intercâmbio. Um ano depois, formado no Ensino Médio e já tendo defendido o Brasil em inúmeros campeonatos mundiais amadores, Teco se profissionalizou e seguiu a carreira no esporte. No seu primeiro ano como profissional, Teco correu o Circuito Mundial e o primeiro pódio no Tour viria em 1991, o Alternativa Pro, na Barra da Tijuca. Em 1994, Teco venceu o norte-americano Kelly Slater na final do Rip Curl Pro Hossegor, na França, conquistando pela segunda vez uma etapa do Circuito, performando com uma Stark Surfboards, do shaper francês Jean Pierre Stark. Ao todo, foram 15 anos na disputa do Circuito Mundial de Surfe, até que em 2003 se despediu da competição como atleta e estreou como organizador ao comprar a licença da etapa do Mundial no Brasil. Por 16 anos manteve-se a frente, produzindo e comercializando o evento no país. Em 2019, Teco saiu de cena, ano em que Saquarema entrou para o calendário da elite do surfe mundial, ao sediar a etapa brasileira do Circuito da WSL. Teco foi um dos únicos bicampeões da divisão de acesso WQS (World Men's Qualifying Series), nos anos de 1992 e 1999. Esse título de bicampeão ele divide apenas com o irmão Neco Padaratz e com o australiano Jake Paterson. Pelo Circuito Mundial, sua melhor colocação no ranking anual foi um oitavo lugar em 1994, quando chegou a figurar entre os três primeiros com chances reais de levantar a taça de campeão. Teco rodou o mundo em surftrips atrás dos melhores picos de onda do planeta. Ele ajudou a desbravar o Arquipélago de Maldivas, ao participar da primeira viagem com registros em fotos e vídeos de surfe nas ilhas da Ásia Meridional, no Oceano Índico. Ele foi um dos primeiros surfistas profissional a surfar as ondas perfeitas do arquipélago paradisíaco. Hoje, Teco está à frente da Confederação Brasileira de Surf (CBSurf), atuando na gestão do esporte no Brasil, em projetos de desenvolvimento e alto rendimento, programas de treinamento da Seleção Brasileira e organização das regras de competições junto as federações estaduais e associações regionais, incluindo as questões sociais e ambientais que orientam o trabalho da entidade. Na CBSurf, Teco também cuida do lado olímpico do surfe, trabalhando diretamente com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Associação de Surf Internacional (ISA). O surfista brasileiro ainda dá palestras e consultoria empresarial, mantém dois programas de rádio e atua na gestão de eventos. Multifuncional, Teco também vive no meio artístico. Ele já atuou como ator e é músico da banda Tow In. O ídolo nacional é casado desde 1994 com Gabriela. Têm duas filhas, Júlia e Laura, e uma neta, Laila. Teco Padaratz revelou sua trajetória pessoal e profissional no livro autobiográfico Buscando o seu 100%, publicado pela Editora Gaia. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal.