Fê Corrêa foi o melhor em Pitangueiras (Alberto Sodré/Divulgação) Fernando Corrêa Luiz nasceu em Santos, mais precisamente na Rua Firmino Barbosa, 83, perto do Canal 3, em 17 de julho de 1962. Filho do representante de calçados Norberto Luiz Neto e de Vilma Rocha Corrêa Luiz e irmão de outros dois surfistas, Norberto e Zé Eduardo, desde muito pequeno o mar foi seu companheiro inseparável: brincava na água, observava os irmãos mais velhos e desenvolvia uma relação natural com o oceano. Seu apelido na escola era "lontra", porque vivia dentro d'água, com os cabelos sempre salgados e já demonstrando uma intimidade rara com as ondas. Com apenas 10 anos, ganhou sua primeira prancha de fibra do pai, fabricada por Orácio Cocada, e rapidamente passou a dominar as ondas do Canal 3. Entre brincadeiras na praia e campeonatos locais, Fê Corrêa dividia os dias com amigos como Luiz Neguinho, Carlinhos Gafanha e outros nomes marcantes da juventude santista. Aos 15 anos, começou a buscar ondas mais desafiadoras, como as da Praia do Tombo, no Guarujá, ao lado do irmão Zé, do amigo Rogério Pescoço e dos surfistas locais, incluindo os irmãos do Tombo, aprendendo na prática a leitura de ondas maiores e a disciplina que o surfe competitivo exigiria. Apesar do talento precoce, seguiu também uma trajetória acadêmica e profissional consistente: estudou no Colégio Santista, formou-se em instrumentação e automação industrial no Senai, trabalhou em Lençóis Paulista e Guaratinguetá, incluindo experiência internacional na Alemanha. Ainda assim, o surfe permanecia como eixo central de sua vida. Em 1987, aos 24 anos, com a criação do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, organizado pela Abrasp, tomou a decisão de apostar tudo no esporte e mudou-se para Imbituba, buscando consolidar sua carreira no circuito que se iniciava. O início do campeonato, no entanto, foi de incerteza. Na etapa inaugural, o OP Pro, na Praia da Joaquina, Fê Corrêa teve desempenho abaixo do esperado e chegou à segunda etapa do circuito, o Lightning Bolt, na Praia de Pitangueiras, em Guarujá, em uma situação decisiva: ou conquistava um bom resultado e garantia condições de seguir competindo, ou provavelmente encerraria sua trajetória e iria para Florianópolis, onde já planejava trabalhar com o irmão na produção de peças em fibra de vidro. Foi nesse cenário que veio o ponto de virada. Em ondas exigentes e com sua prancha Tropical Brasil, shapeada pelo Avelino Bastos, e apoio da Natural Art, Fê Corrêa venceu a etapa Lightning Bolt, tornando-se o primeiro santista a conquistar uma etapa do Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Essa conquista foi o marco que sustentou sua continuidade no circuito e, consequentemente, no surfe de competição. O resultado garantiu patrocínio da Sea Club e abriu caminho para cerca de cinco anos de carreira profissional. Sobre aquele momento, Fê relembra: “A única coisa que me veio à cabeça é que aquele campeonato, o Lightning Bolt, era algo muito pessoal. Era um divisor de águas. Na prática, era o fim de uma carreira curta ou o começo de uma carreira longa. E no final deu tudo certo: voltei com o troféu e consegui seguir no Circuito por anos”. A partir dali, passou a competir em etapas no Brasil e no exterior, levando sua experiência para picos na América Central, Europa, Havaí e Austrália. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal