Fê Corrêa surfando na Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha, em julho de 1989 (André Berlinck/Divulgação) Fernando Corrêa Luiz nasceu em Santos, no Canal 3, mais precisamente na Rua Firmino Barbosa, 83, em 1962, filho do representante de calçados, Norberto Luiz Neto, e de Vilma Rocha Corrêa Luiz, e irmão de outros dois surfistas: Norberto e Zé Eduardo. Desde muito pequeno, o mar foi seu companheiro inseparável: brincava na água, observava os irmãos mais velhos e sentia uma conexão natural com o oceano. Seu apelido na escola era Lontra, porque vivia dentro da água, cabelos sempre em pé de salgado, e já mostrava uma intimidade rara com as ondas. Com apenas 10 anos, ganhou sua primeira prancha de fibra do pai, fabricada pelo Orácio Cocada, e logo dominou manobras básicas nas ondas do Canal 3. Entre brincadeiras na praia e campeonatos locais, Fê compartilhava os dias com amigos como Luiz Neguinho, Carlinhos Gafanha e outros nomes marcantes da juventude santista. Aos 15 anos, começou a explorar praias mais desafiadoras, como a do Tombo, no Guarujá, com o irmão Zé, o amigo Rogério Pescoço, ao lado dos surfistas locais, como os irmãos do Tombo, aprendendo a lidar com ondas maiores e a disciplina que o surfe competitivo exigiria. Apesar do talento precoce, Fê seguiu também uma trajetória acadêmica e profissional sólida: estudou no Colégio Santista e formou-se em instrumentação e automação industrial no Senai, trabalhou em Lençóis Paulista e Guaratinguetá, inclusive com experiência internacional na Alemanha, mas o surfe sempre esteve presente em seus pensamentos. Aos 24 anos, quando surgiu o primeiro Circuito Brasileiro Profissional de Surf, em 1987, organizado pela Abrasp, decidiu arriscar: largou o trabalho seguro e mudou-se para Imbituba, com o sonho de se tornar surfista profissional. O divisor de águas veio na segunda etapa do Circuito, a etapa Lightning Bolt, na Praia de Pitangueiras, em Guarujá. Enfrentando ondas gigantes, com equipamentos improvisados e a determinação de anos de treino, Fê Corrêa venceu a competição, tornando-se o primeiro santista a conquistar uma etapa do Circuito Brasileiro Profissional. A vitória garantiu projeção nacional, patrocínio da Sea Club e início de uma carreira profissional que o levaria a viajar pelo Brasil, América Central, Europa, Havaí e Austrália. Entre as aventuras, histórias curiosas marcaram sua trajetória: de acampamentos em campeonatos europeus a viagens perigosas em países em guerra, como El Salvador, onde surfou picos quase desérticos enquanto ouvia tiros à noite. Mas Fê sempre retornava à essência do surfe: a alegria de estar no mar, o companheirismo com amigos e o prazer de superar desafios. Entre seus grandes e inseparáveis companheiros, está seu irmão Zé, conhecido fabricante de quilhas de várias cores, dos tempos em que eram fixadas diretamente nas pranchas pelas fábricas. Fê e sua esposa Lucia criaram a Resina Floripa, fabricante de produtos de decoração em resina, com distribuição pela rede de lojas Imaginarium. Hoje pai de Lui e padrasto de Karina e Eduardo, Fê vive em Florianópolis, surfa regularmente, e encontrou novas paixões, como a produção artesanal de cerveja: a Cerveja do Sítio. Seu legado permanece, não apenas nas vitórias, mas no exemplo de dedicação, coragem e amor pelo surfe que inspirou gerações de santistas. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal