Fabrício de Mendonça Uchôa nasceu em Ribeirão Preto (SP), em 22 de agosto de 1955. Foi o segundo dos quatro filhos de Paulo Sebastião de Mendonça Uchôa e Maria Amália Padilha, ambos de famílias de fazendeiros da região. Paulo nasceu em 1954, Alexandre, o Baleia, em 1958, e Valéria completava a família. A produção de café, gado, arroz e milho fazia parte da história dos Uchôa, cuja ascendência paterna remontava a Alagoas e, antes disso, como quase toda família brasileira, a Portugal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O mar entrou na vida dos irmãos durante as férias em Bertioga, onde os pais tinham uma casa a duas quadras da praia, atrás do tradicional Hotel 27, que existe até hoje. Paulo foi o primeiro a surfar, com um longboard Glaspac comprado na loja Mesbla, em São Paulo, em 1968. Fabrício começou pouco tempo depois com uma Surf Champion, fabricada pelo visionário Christian Frutig. Logo estavam atravessando o Canal de Bertioga, remando para chegar à Prainha Branca ou surfando em frente ao Hotel 27, iniciando a história do surfe do Bertioga. Vizinho da família, Alex Du Mont acompanhou os primeiros passos dos irmãos e tornou-se companheiro de muitas surftrips. Paulo também começou a fabricar pranchas de isopor, inspirado em revistas estrangeiras. Usava resina epóxi e até improvisou um aquecedor para acelerar a cura do glass. Por volta de 1970 ou 1971, surgiu a Crow Surf Board, provavelmente a primeira prancha feita na Bertioga, com a logomarca de um corvo. O surfe virou paixão e caminho para o mundo. Em 4 de novembro de 1974, Paulo e Fabrício viajaram para Punta Hermosa, no Peru, onde permaneceram cinco meses, explorando picos como Señoritas e Kontiki. Depois seguiram para El Salvador, surfando Punta Rocas e Sunzal. Em novembro de 1975, os irmãos Uchôa partiram para o Havaí, onde permaneceram no inverno havaiano até abril de 1976. Antes de voltar ao Brasil, ainda passaram três meses em El Salvador. A partir daí, Havaí, Bali, El Salvador e Brasil passaram a se alternar conforme as temporadas de ondas. Fabrício foi, segundo o relato da família, o segundo brasileiro a surfar em Gradjagan, na Ilha de Java, logo depois de João Príncipe de Orleans e Bragança, o primeiro brasileiro. Em Bali, Uluwatu era um de seus picos preferidos - tanto que deu esse nome a um veleiro que mantinha no Canal de Bertioga. Para os irmão Uchôa, surfar era liberdade, viagem e aventura. Alex lembra que Paulo e Fabrício estavam entre os primeiros brasileiros a enfrentar Waimea e recorda um grande mar em Imbituba, quando a bravura dos dois chamou a atenção de Mike Tabeling. Paulo morreu em 2016 e Alexandre, em 2022. Das férias em Bertioga às ondas do Peru, Havaí, Bali e Java, os Uchôa construíram uma história em que o surfe nunca foi apenas esporte: foi uma maneira de conhecer o mundo. É essa trajetória que Lucília, esposa de Fabrício, ajuda a preservar ao recontar as histórias vividas pelos irmãos e a manter viva a memória de uma família que encontrou no mar uma forma de liberdade, amizade e descoberta. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal