(Divulgação) O título mundial amador, em Porto Rico, foi um grande marco para Fábio Gouveia e para a história do surfe nacional. O evento era considerado muito importante para os atletas que desejavam ingressar na ASP, hoje WSL. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Fábio Gouveia foi para esse evento com o objetivo de ganhar experiência e voltar ao Brasil como um surfista profissional, afinal o surfista conquistou o direito de disputar esse título máximo ao vencer o Campeonato Brasileiro Amador de 1987. Porém, ao contrário das suas expectativas, ele foi passando as baterias até a consagração da Grande Final, contra Daren Magee, Rodrigo Resende e Steve Pugh. O título fez nascer um mito. A partir daí, muita gente apoiou a entrada dele para correr o Circuito Profissional. Surgiu o convite de Diniz Iozzi, o Pardhal, então técnico do Wagner Pupo, Renan Rocha e Zé Paulo, para comandar o novo campeão pelo mundo. Nessa época, Fábio já tinha o patrocínio da Mormaii e da Hang Loose e viajou pela Austrália e Indonésia para treinar e competir nas melhores ondas do planeta. Em maio de 1988 ele embarcou para a Europa para disputar as etapas do WT e alcançou bons resultados. No final do ano Fabio voltou para a Austrália e conquistou vários eventos locais, campeonatos de triagem, vencendo competidores de alto nível como Tom Carroll, bicampeão mundial. Os australianos ficaram alarmados com a performance dos brasileiros Fábio Gouveia e Teco Padaratz, ambos patrocinados pela Hang Loose e Mormaii, e pelas marcas de pranchas Custom e Tropical Brasil Surfboards, respectivamente. Eles se tornaram inspiração para o título The boys from Brazil, repercutindo na Tracks Magazine, jornal australiano especializado em surfe. Ao longo de sua carreira, Fábio venceu quatro etapas do Circuito Mundial de Surfe (WSL): o Hang Loose Pro Contest, no Guarujá (Brasil), em 1990; o Hard Rock Café, em Sunset (Hawaii), em 1991; a Arena Surf Masters, em Biarritz (França), em 1991, e o Marui Pro, em Hebara Beach (Japão), em 1992. Sua melhor temporada pelo Circuito foi a quinta colocação, em 1992. Fábio foi ainda Bicampeão Brasileiro Profissional (1998 e 2005), Campeão Mundial WQS e Sul-americano, em 1998. Aos 42 anos, terminou em segundo lugar no Mundial Master, em 2011. Ele também conquistou o Bicampeonato Mundial em Piscinas de Ondas, sancionado pela WSL, na Ocean Dome, Japão (1993/1994), disputado contra os consagrados Kelly Slater, Sunny Garcia, entre outros. Além da alta performance que acompanhou o atleta nas competições, Fábio tinha o hobby de filmar e documentar as baterias em sua própria câmera. O acervo pessoal é parte do conteúdo que transformou o surfista em protagonista do filme biográfico, Fábio Fabuloso. Os produtores Pedro Cezar, Ricardo Bocão e Antônio Ricardo uniram esforços com o proprietário da Hang Loose, Alfio Lagnado. Em 2004, o filme ganhou as telas do cinema e o surfista saiu em turnê pelo Brasil, Europa e Estados Unidos, transformando-se num marco e abrindo as portas para outras produções do gênero. Pepê Cezar e Fábio Gouveia criaram, com isso, a identidade do surfista brasileiro. Aposentado das competições pelas sucessivas lesões, Fábio conduziu o programa Rái Êite 100 Triplé, no canal de TV por assinatura, Woohoo. Atualmente, ele produz o Barca do Fia, pelo YouTube, com viagens pelos diversos paraísos do surfe. Fábio foi pioneiro no mundo ao incluir a família nas viagens de competições. Para ele a presença familiar era um estímulo e uma forma de acompanhar o crescimento dos filhos e desfrutar da companhia da esposa Elka Roichman Gouveia. Além dos três filhos, Igor, Ian e Ilana Roichman Gouveia, frutos da relação de mais de três décadas, uma feliz coincidência une o casal: ambos nasceram no dia 26 de agosto de 1969. Portanto, no dia de ontem, uma dupla comemoração para o primeiro surfista brasileiro campeão do mundo. Parabéns, Fábio e Elka, pelos 55 anos! Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal