<p data-end="805" data-start="132">Eraldo Gueiros Leite Neto nasceu em 13 de fevereiro de 1965, no Recife, herdeiro de duas tradicionais famílias pernambucanas. Pelo lado paterno, seu avô, Eraldo Gueiros Leite, foi ministro do Supremo Tribunal Militar e governador de Pernambuco. Pelo lado materno, a família de Dulce Maria Gueiros comandava usinas de cana-de-açúcar. O avô materno, rígido e sério, implicava com o jeito brincalhão e expansivo de Claudio José Gueiros Leite, pai de Eraldo. Esse espírito livre, porém, o acompanharia pouco — ele morreu em um acidente de carro, quando Eraldo tinha apenas dois anos. Eraldo e a irmã Simone cresceram chamando o avô Fernando, dono das usinas, de Papai Fernando.</p> <p data-end="1344" data-start="807">Mesmo frequentando palácios e ambientes formais, Eraldo nunca se sentiu ligado ao luxo. A educação religiosa e a afinidade com as coisas simples — especialmente a natureza — abriram caminho para uma paixão que transformaria sua vida: o surfe. O primeiro contato veio através do tio Júlio, dono de uma prancha Zeca Guaratiba com uma paisagem desenhada no fundo da prancha. Fascinado, o menino de dez anos pegou a prancha e, nas ondas pequenas em frente de casa, em Boa Viagem, ficou de pé na primeira tentativa, ao lado do amigo Pinheiro.</p> <p data-end="1771" data-start="1346">Estudou no São Luís, depois no Colégio de Aplicação, até chegar à Escola Park, moderna e liberal, instalada em frente ao mar, em Recife. As tardes eram dedicadas a surfar — ainda sem carteira de motorista — explorando praias como Paiva, Gaibu, Porto de Galinhas e Serrambi. A primeira prancha depois da velha Zeca Guaratiba foi uma Rico 5’10”, nas cores da bandeira do Brasil, que acendeu de vez sua paixão pelas monoquilhas.</p> <p data-end="2323" data-start="1773">O ponto de virada foi o filme Free Ride, que transformou um surfista apaixonado a seguir no surfe competitivo — mesmo quando o profissionalismo não existia no Brasil. Eraldo passou a mirar o mundo que via na tela: Havaí, Indonésia, viagens sem fim. Suas referências eram fortes: Ricardo e Cláudio Marroquim, Felipe Dantas (Natal), Sérgio Testinha, Hertz, Zezito, Paulinho Porrete, Napinho, Helinho, Paulo Moura, Jaime Farinha, Wagner Açougueiro e Pite; e, no cenário internacional, Mark Richards, Cheyne Horan, Shaun Tomson, Michael Ho e Dane Keloha.</p> <p data-end="2666" data-start="2325">A turma que moldou sua trajetória reunia nomes como a galera da equipe Cactus Surfboards — Ari, Yalor — além de Napinho, Neno, Sérgio Dom, Carlos Burle, Fábio Quencas, Fábio El Louco, Sandro Black, Zé Antônio, Zé Radiola, Pite e outros. Surfavam Gaibu, Arrisca Tudo, Porto, Cupe e Serrambi, sempre buscando ondas maiores e mais desafiadoras.</p> <p data-end="2879" data-start="2668">Vieram as surftrips, sobretudo para Fernando de Noronha, ainda intocada, acessada em voos da FAB graças ao avô governador. Depois, Indonésia e África do Sul com quase ninguém nas ondas, e o Havaí ainda selvagem.</p> <p data-end="3130" data-start="2881">Essa jornada culminou em seu primeiro grande marco profissional: Eraldo Gueiros foi o 10º colocado no primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, em 1987, inscrevendo definitivamente seu nome entre os pioneiros do surfe profissional nacional.</p> <p data-end="3575" data-start="3132">Depois de uma década competindo em todo o Circuito Brasileiro, Eraldo desafiou as ondas grandes — primeiro na remada e depois no Tow In. Foi nesse período que viveu o auge de sua carreira: venceu o Big Trip, conquistou o terceiro lugar no Mundial de Jaws, ganhou um XXL ao lado de Burle e se classificou diversas vezes para as finais do XXL. Hoje, vivendo em Recife, trabalha com a família e surfa sempre que o mar aparece em sua melhor forma.</p> <p data-end="3713" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3577">Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal</p>