Por volta de 1964 a Glaspac já fabricava produtos diversos (Reprodução) Sydney George Paul Pacey, o Boy Pacey, nasceu na ilha caribenha de Saint Vincent, uma antiga colônia Britânica. Boy emigrou para o Brasil como expatriado pela empresa de navegação Wilson-sons e residiu em Recife, onde conheceu sua esposa Thelma e nasceu Donald, filho do casal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nascida em Porto Alegre, Thelma era descendente de imigrantes alemães, os Bromberg, empresários conhecidos pela antiga loja de materiais de construção que levava o nome da família e pela fábrica de carburadores automotivos Brosol (Bromberg Solex). A família mudou-se para São Paulo, ocasião em que Boy presidia a Fiatlux, e depois para o Rio de Janeiro. Jogador de golfe, Boy frequentava o prestigioso Gavea Golf and Country Club, chegando a ocupar a presidência do Conselho, no biênio 1970/71. Herdeiro da tradição britânica, Donald foi educado na Inglaterra, até formar-se pela Universidade de Keel. Aficionado pelo automobilismo, ele passava os finais se semana pilotando seu carro nas pistas de competição, tornando-se amigo do futuro bicampeão da Fórmula 1, Graham Hill (1962/1968). Durante a década de 1960, circulando no ambiente das corridas de carro na Inglaterra, Don Pacey conheceu um material inovador, o plástico reforçado com fibra de vidro (FRP). Ele expandiu seus horizontes para o setor empresarial e, inspirado nas iniciais Glass (vidro) e Pacey, fundou a Glaspac Ltda, em 1961, uma empresa brasileira pioneira e especializada em fibra de vidro. A empresa que começou numa garagem deu o pulo do gato quando Don projetou o popular carrinho de sorvete com isolamento térmico de poliuretano para a Kibon. Ele também elaborou um barco com casco injetado de PU e uma pequena embarcação para puxar esqui com motor de popa para a fabricante Boston Whaler. Por volta de 1964 a Glaspac já fabricava produtos diversos como assentos e frentes de ônibus para grandes companhias como a Caio e a CMTC e peças para os carros do Chico Landi, Camilo Cristófaro, entre outros. Nessa época, Rino Mazoni criava o famoso DKW Malzoni, precursor do Puma GT. Ele levou o protótipo e a Glaspac tirou o molde para fabricar os primeiros exemplares do histórico carro. Em 1966 a Glaspac expandiu com a compra de um galpão no bairro do Socorro, entre a represa de Guarapiranga e a pista de Interlagos, um posicionamento estratégico para as operações da empresa. A Glaspac também abriu a Fiberglass Center na avenida Santo Amaro, uma loja que vendia as pranchas produzidas pela própria Glaspac e comercializava materiais químicos para pequenos fabricantes. A sigla MK, modelos da pranchas Glaspac, veio do amor dos sócios pela marca Jaguar. Don e Gerry são cofundadores do Clube Jaguar Brasil e tiveram vários exemplares, entre eles os XK 120, E-Type e os MK II, e MK IX, além de uma réplica produzida pela Glaspac do tricampeão de Le Mans, o famoso D-Type. Em 1967, Boy Pacey, pai de Donald, estava na Inglaterra e convidou Gerry para tornar-se sócio do filho na Glaspac. A empresa rapidamente tornou-se referência no mercado pela visão empreendedora de Pacey e Cunningham. A parceria foi vital para o progresso da Glaspac em iniciativas que incluíam o desenvolvimento das pranchas de surfe. A empresa focou na produção de longboards, aproveitando as técnicas de inovação e sofisticação que Donald e sua equipe tinham desenvolvido anteriormente. As pranchas Glaspac ganharam as grandes lojas do varejo como Mappin e Sears, supermercados, lojas náuticas etc. A Fiberglass Center expandiu sua linha de produtos para cera, racks, tshirts e kits de reparo voltados ao surfe, ajudada pela conexão da empresa com os buggies e o filme Endless Summer, um grande sucesso do cinema que impulsionou o esporte e a cultura de praia. Christian "Cheyne" Frutig, um talentoso surfista e shaper, foi contratado pela Glaspac e passou a fabricar pranchas com acabamento mais sofisticado, porém a história da Glaspac com as pranchas duraria apenas até o início dos anos 1970. As inovações com o FRP (Plástico reforçado com fibra de vidro) abriram caminho para a produção de caixas de correio, orelhões, banheiras de hidromassagem, capacetes e escudos para o exército e a PM, carenagens, letreiros e uma infinidade de outros produtos. Mas era na indústria automotiva a menina dos olhos da empresa e a Glaspac passou a investir pesado em equipamentos e maquinários visando barrar a concorrência e conquistar os engenheiros das montadoras cada vez mais exigentes com os seus parceiros de negócios. Em 1981, o Cobra, modelo histórico da AC Cars, foi fabricado nacionalmente pela Glaspac no Salão do Automóvel. O stand da empresa recebeu a visita do Presidente da República em exercício, Aureliano Chaves. Ao todo mais de 100 carros foram produzidos. No início dos anos 1984, Don faleceu repentinamente aos 47 anos. Gerry assumiu a empresa e as funções do sócio, atravessou crises e planos fracassados de governo com duas fábricas e mais de 300 funcionários. Em 1996, depois de quase quatro décadas de existência, Gerry vendeu a empresa. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal