Dávio Correia Figueiredo, ou simplesmente Dadá Figueiredo, nasceu em 4 de março de 1965, no Rio de Janeiro. Filho de um diretor do Camping Clube do Brasil, Dadá passou a frequentar a Barra da Tijuca ainda criança, entre 1970 e 1973. Foi ali que viu alguns surfistas deslizarem pelas ondas e decidiu que queria fazer o mesmo. A paixão foi imediata. A primeira prancha surgiu por iniciativa da mãe, que comprou uma prancha de isopor em um supermercado próximo à praia. Com ela, Dadá começou a brincar, tentando ficar em pé na espuma das ondas. Não demorou para destruir a prancha e começar a fazer experiências por conta própria, cortando, modificando e pintando novos equipamentos. A distância entre sua casa, na Tijuca do subúrbio carioca, e a Praia da Barra fez com que encontrasse no skate um complemento ideal para o surfe. Enquanto muitos enxergavam as duas modalidades como universos distintos, Dadá passou a aplicar nas ondas as manobras aprendidas no asfalto. Essa combinação acabaria transformando sua maneira de surfar e revolucionaria gerações futuras. Dadá tornou-se também shaper. Comprava pranchas usadas, remodelava os blocos de poliuretano e criava equipamentos menores, mais leves e mais estreitos do que os utilizados pela maioria dos surfistas da época. O resultado foi um estilo radical e inovador, marcado por manobras agressivas, laybacks, batidas explosivas e tentativas de aéreos quando quase ninguém imaginava que esse seria a revolução do surfe. Nos anos 1980, seu visual punk, as roupas pretas, o cabelo moicano e a personalidade irreverente contrastavam com a cultura predominante do surfe nacional. Enquanto a maioria seguia uma estética ligada ao reggae, ao estilo “paz e amor” e às roupas coloridas, Dadá construía uma identidade própria. Dentro d’água, seu surfe também rompia padrões. O reconhecimento competitivo veio cedo. Em 1985, terminou a temporada entre os principais surfistas do País e ficou marcado pelo episódio do Staff Poll, quando protestou publicamente contra a exploração dos atletas por parte de empresários do setor. Dois anos depois, em 1987, participou do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, encerrando a temporada na 14a colocação geral, resultado que o manteve entre a elite nacional. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, permaneceu frequentemente entre os principais nomes do ranking brasileiro e consolidou-se como uma das figuras mais influentes da história do surfe nacional, patrocinado pela Company de Mauro Taubman. Paralelamente às competições, Dadá desenvolveu parcerias na fabricação de pranchas, trabalhou com a Cristal Graffiti e lançou marcas próprias como a Anti-Fashion e, posteriormente, a Necrose Social, iniciativas que refletiam seu espírito contestador e sua ligação com a contracultura. Dadá enfrentou diversos desafios ao longo da vida. Em 1990, sobreviveu a um ataque em que recebeu 12 facadas, um dos episódios mais dramáticos de sua trajetória. Hoje, Dadá Figueiredo segue ligado ao mar: pai do também surfista Dávio Figueiredo, Dadá fabrica as pranchas Dadá Figueiredo e continua com a marca Necrose Social. Sua contribuição para o esporte vai muito além dos resultados. Considerado um dos surfistas mais influentes da história do Brasil, foi um pioneiro que antecipou tendências, técnicas, comportamentais e culturais que só seriam plenamente compreendidas décadas depois. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal