Cocó e Celsinho na praia nos anos 80 (Arquivo Pessoal) Nascido em 27 de setembro de 1951, em São Paulo, Celso Eduardo de Medeiros, o Celsinho, descende de uma tradicional família de paulistas quatrocentões. Filho de Celso Lefebvre de Medeiros e Maria Tereza Baima de Medeiros, passou a infância dividida entre a Capital e Santos, onde a avó possuía um apartamento na Rua Ricardo Pinto, no Canal 6. Era ali que passava praticamente todas as férias escolares, construindo sua ligação definitiva com o mar. Antes mesmo de surfar, brincava de pegar jacaré nas ondas. O contato frequente com a praia despertou a curiosidade pelo surfe e, em 1966, aos 15 anos, convenceu o pai a comprar sua primeira prancha na Glaspac, loja localizada na Avenida Santo Amaro, ao lado do antigo Cine Vila Rica, em São Paulo. Foi com esse longboard pesado que estreou nas ondas do Canal 3, em Santos. Naquela época, o surfe ainda era um universo restrito. As referências vinham das revistas Surfer, importadas e compradas no aeroporto de Congonhas, dos filmes estrangeiros e dos produtos vendidos em poucas lojas especializadas, como a própria Glaspac, onde também eram comercializadas as cobiçadas camisetas importadas Val Surf. As amizades tiveram papel fundamental nessa paixão. Entre elas, Eduardo "Cocó" Faggiano, além de Cisco, Chico Preto e Marcelo Fukuda. Mais tarde, já surfando no Guarujá, passou a conviver com surfistas como Thyola, Neco Carbone, Roberto Teixeira e Fico, acompanhando o crescimento da cultura do surfe em São Paulo, quando roupas, pranchas sobre os carros e o estilo de vida surfista começavam a conquistar uma geração. Formado em Administração de Empresas pela FMU e com especialização na Fundação Brasileira de Marketing, Celsinho nunca priorizou competições. O trabalho ocupava boa parte do seu tempo, mas os finais de semana eram reservados ao mar, especialmente nas praias do Pernambuco e São Pedro, no Guarujá. Fez viagens para o Sul do Brasil, Costa Rica e El Salvador, quase sempre ao lado do Cocó. Entre suas lembranças mais marcantes está a compra de uma prancha do lendário Coronel Parreiras, em São Conrado (RJ). A encomenda era feita por anúncio de revista, mas a retirada exigia uma viagem ao Rio de Janeiro — no caso, um bate-volta. Depois disso, passou anos surfando com pranchas moldadas pelo próprio Cocó e, mais tarde, por Thyola, da Lightning Bolt. Uma lembrança aparentemente simples traduz bem sua relação com o oceano. Em uma viagem a Angra dos Reis, viu uma camiseta usada por pescadores com a frase “O mar é meu chão”. Comprou a peça na hora. Até hoje considera aquelas palavras a melhor definição do que o mar representa em sua vida. A entrada no surf business aconteceu no início dos anos 80. Celsinho trabalhou na Primo ao lado de Zé Roberto Rangel e Paulinho Pisca-Pisca e, posteriormente, tornou-se sócio de Zé Roberto na Town & Country, parceria que durou pouco. Quando a sociedade terminou, percebeu que a oportunidade estava dentro da própria família. Seu pai havia criado anos antes a marca Wagon, dedicada à fabricação de calças. A empresa já havia encerrado suas atividades, mas o registro permanecia ativo. O nome Wagon nasceu inspirado nas tradicionais carruagens dos filmes de faroeste americano, imagem que estampava a etiqueta de couro das calças da marca. Na época, as calças Wagon tornaram-se bastante conhecidas em São Paulo, dividindo espaço com outras referências da moda paulistana, como as camisas Franita. Celsinho enxergou ali uma oportunidade: em 1983 deu uma nova identidade à marca, transformando-a em uma empresa voltada ao universo do surfe. Marcelo Fukuda era o desenhista das camisetas e o representante da marca em Santos, vendidas na Roni Surf, Bali High, Sthill, Reação, entre outras. Mais do que aproveitar um nome disponível, ele levou para a Wagon a paixão que carregava desde a adolescência. A marca que um dia vestiu uma geração de paulistanos passou a vestir outra, identificada com o estilo de vida do surfe. Décadas depois, Celsinho continua ligado ao universo que descobriu ainda menino. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal