[[legacy_image_204985]] Seu bisavô Otacílio era pescador das marés em Vicente de Carvalho. Seu avô Ruben, chefe de máquinas em um rebocador, e depois catraieiro. O pai, Reinaldo, carpinteiro naval e professor de vela. Renato Faustino, mais conhecido como Tija, achou na arte a maneira de seguir o legado da família caiçara. Nascido em Santos no ano de 1977, Tija é artista e designer e traz em sua arte uma mistura boa do antigo e do novo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quando criança, passava os dias de folga na praia e, aos 6 anos, viu alguns surfistas na água, começando ali seu interesse pelo surfe. Passou a brincar no mar descendo as ondas deitado em uma prancha de isopor, até ganhar sua primeira prancha aos 10 anos, uma triquilha 5’8 Float Action do shaper vicentino Wilmar Ramos. Sua primeira onda foi na Praia do Itararé, em frente à Pedra da Feiticeira. Mesmo só pensando em surfe, Tija tinha muito gosto por desenhar e isso o levou a estudar desenho por quatro anos na Casa do Barão, com o professor Carlos. Depois, cursou a Escola Panamericana de Arte em São Paulo e, logo no primeiro ano, ouviu uma palestra do designer Alexandre Wollner, o “pai do design moderno brasileiro”. Naquele dia, percebeu que estava no caminho certo. Wollner tinha em sua arte formatos geométricos e a influência da Bauhaus, o que chamou muito a atenção de Tija. Durante os anos seguintes, trabalhou em algumas agências até que, com a chegada da internet no Brasil, surgiu a oportunidade de ser diretor de arte no amelia.com, que depois viraria paodeacucar.com. Tija foi o designer do primeiro site extra.com. Passou a fazer direção de cenografia, onde já começava a inserir seu trabalho autoral em video mappings e cenários. Em 2017, Tija foi indicado pela Suvinil como tendência por seu trabalho, que alinhava cores e geometria, e dali em diante não parou mais, com trabalhos para Starbucks, Hotel Selina e UOL, entre outros. A relação entre o mar e a memória fica clara em sua arte, sempre resgatando o passado: desenhos na canoa do bisavô, bandeiras náuticas da casa do avô, cultura indígena guarani, “o belo atrelado ao funcional”, diz Tija, que ainda agrega referências no movimento concretista – o sentimento expresso através de formas geométricas como fator sensorial de modificar os ambientes. Sempre perto do mar, em 2014 foi para o Peru e pegou as grandes e potentes direitas de Punta Rocas de longboard. Hoje pega suas ondas no Itararé e só usa pranchas clássicas, pois como ele diz, “não adianta resgatar a memória se você não vivenciá-la”. Para saber mais acompanhe no Instagram @renatotija. Para essa e mais histórias no Instagram.