(Bruno Alves) Amaro Donizete de Matos, o Amaro do Tombo, nasceu em 31 de janeiro de 1966, em Guarujá, em uma família caiçara. Filho de um dos primeiros pescadores da região e criado numa casinha de madeira nos barrancos da Praia do Tombo — onde, nas ressacas, o mar lambia as paredes —, Amaro cresceu numa relação inevitável e íntima com o oceano. “A gente conheceu o mar, e o mar nos conheceu”, resume. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Estudou na Escola Hugo (EE Dr. Hugo Santos Silva), na própria Praia do Tombo. Chegou até o segundo grau incompleto, mas, ainda no colégio, o surfe — então marginalizado nos anos 1970 — gerou uma perspectiva de futuro. As primeiras referências vieram de casa: os irmãos Neno e Paulo, Tinguinha, Paulo Rabelo e Wagner Vovô, os Tombo Boys. O impacto inicial veio de quem estava ao lado — e de um pioneiro que Amaro faz questão de destacar: Johnny Rice, ao instalar sua fábrica de pranchas na Praia do Tombo. A primeira prancha de Amaro nasceu da necessidade. Ele e Neno ‘descascaram’ um longboard quebrado e, das mãos do irmão, surgiu uma prancha de formato curioso — rabeta arredondada, “parecida com uma gota”. Com ela, a evolução se acelerou. Mais tarde vieram pranchas marcantes: a Shine Surfboards (desejo de todos na época), Rip Wave, Lightning Bolt e, já na fase profissional, uma prancha decisiva: uma Junks, feita pelo von Gerichten, o Alemão de Pernambuco, na fábrica da Town & Country. Foi com ela que Amaro venceu o Sundek Classic de 1987, em Ubatuba. A primeira surf trip foi para o Peru, com o amigo de infância Tequinho do Tombo – água gelada, ondas grandes, um choque de realidade para qualquer brasileiro dos anos 80. Depois veio o Havaí, em 1999, viagem solitária em que Amaro fez amizades com havaianos e se reconheceu diante das ondas mais importantes do mundo. Mas uma das viagens mais marcantes não foi pela onda, e sim pela experiência: a ida à Ilha da Trindade, na costa do Espírito Santo, a bordo de um navio da Marinha, numa pauta da Fluir. Só ele e Taiu como surfistas. Em 1987 veio o ano mágico para a família Matos e equipe Town & Country. A estreia vitoriosa do irmão Paulo Matos marcou a primeira etapa do Circuito Brasileiro de Surf Profissional, o OP Pro, na Praia da Joaquina. Amaro venceu a terceira etapa, o Sundek Classic, em Ubatuba. Na classificação final, Paulo Matos sagrou-se o primeiro campeão brasileiro de surf profissional de 1987, Neno terminou em terceiro lugar e Amaro garantiu a sexta colocação. A família Matos estava definitivamente inserida no surfe profissional: pranchas, passagens, premiações e patrocínios. No mesmo ano de sua ascensão no Circuito, Amaro conheceu Jesus. A fé, que define como transformadora, ressignificou sua relação com o esporte e com a vida. Hoje, Amaro é empresário do surfe e mantém sua loja, a Espaço Surf Saudável, na Praia do Tombo — pequena em tamanho, grande em histórias do surfe brasileiro. Participa ativamente de páginas, registros e memórias do esporte ao lado da família. E guarda, acima de tudo, seus ‘troféus invisíveis’: amizades, parcerias, respeito. “Os maiores troféus são esses que ninguém vê, que não enferrujam, não quebram. Por onde a gente passa, somos bem recebidos. Nunca por ter sido arrogante ou violento, mas pelo que construímos no esporte.” Com gratidão, Amaro do Tombo – ou Amaro Matos, como ficou conhecido – casado com Rosângela, pai de Amanda e Derek Matos, segue como guardião das memórias do surfe brasileiro e da essência caiçara que moldou sua vida desde o dia em que o mar batia nas paredes de sua casa. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal