Alain Birnbaum nasceu em 26 de julho de 1953, em São Paulo. De origem francesa – seu pai era cirurgião-dentista e sua mãe, brasileira, filha de franceses –, cresceu no Jardim Paulistano e estudou na escola francesa Lycée Pasteur. No Guarujá, integrou uma geração de surfistas da capital paulista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A turma reunia Thyola, Brito, Roberto Teixeira, Marcelo Fló (Magoo), Sérgio Sachs, Carlos Motta, Luciano, Sidão, Egas Muniz, Edgar, Sérgio Nasser, Reinaldo Dragão e Paulo Zanotto. Do Guarujá, Silvinho, Boi, Preto, Neco e Jaiminho; de Santos, Cokinho, Vagnão e tantos outros. O Guarujá era a base, mas a busca pelas melhores ondas levou aquela geração a explorar o Litoral Norte, especialmente com swells de sul e vento nordeste. Ele acredita que sua turma esteve entre os primeiros surfistas da capital a percorrer sistematicamente os picos entre Juquehy e Maresias. Dos campeonatos de que participou ele lembra do primeiro Campeonato Brasileiro, em Ubatuba, além de algumas disputas no Guarujá. Era uma época em que o surfe ainda começava a se estruturar nas competições e no mercado nacional. Em 1974, depois de enviar uma carta e despertar o interesse de Brent Williams em fabricar e obter a exclusividade da marca East Coast Foam no Brasil, Alain viajou aos Estados Unidos e passou cerca de três meses em Cocoa Beach, na Flórida, aprendendo a tecnologia de expansão do poliuretano para fabricação de blocos. De volta a São Paulo com os equipamentos e moldes de concreto produzidos sob medida por Brent Williams, Alain se associou no ano seguinte, a Sérgio Sachs e Marcelo Fló (Magoo) para criar a East Coast Foam do Brasil, provavelmente uma das primeiras iniciativas de fabricação de poliuretano para pranchas no estado. Dependente de matéria-prima importada, a empresa foi prejudicada pelo aumento das taxas de importação. Os três ainda estudavam – Alain fazia Economia, Sérgio estava ligado à indústria da família e Magoo cursava Direito. “Faltou energia ou visão para imaginar no que a indústria do surfe iria se transformar”, reconhece Alain. Alain conheceu nos Estados Unidos Johnny Rice e o convidou para vir ao Brasil. Rice ficou inicialmente na casa de Alain, em São Paulo, e depois se estabeleceu na praia do Tombo, no Guarujá. Por influência de Alain, Mike Tabeling, vice-campeão norte-americano de longboard em 1968, veio ao Brasil, ampliando o intercâmbio entre os surfistas brasileiros e a cena internacional. Na viagem à Flórida, Alain conheceu suas pranchas modelo Fish e, ao retornar, trouxe uma Fish 5'8", revolucionária para os padrões brasileiros, com rabeta mais aberta e biquilha. Depois de passar por São Paulo e Guarujá, Tabeling seguiu com Sérgio Sachs e Luciano Filioglia, que trabalhava na produção da East, para Imbituba e Guarda, onde Tabeling impressionou os surfistas locais em ondas grandes com sua Fish. Em 1978, Alain mudou-se para a Europa e, posteriormente, para os Estados Unidos, retornando ao Brasil em 1984. Mais de cinco décadas depois de começar a surfar, Alain permanece ativo, dividindo suas sessões entre Baleia, Cambury e Maresias e realizando cerca de duas viagens por ano em busca de boas ondas. Sua história atravessa um período decisivo da evolução do surfe brasileiro, mas talvez seu maior legado esteja na amizade construída com Sérgio. Iniciada quando o surfe ainda dava seus primeiros passos no país, ela resistiu ao tempo, acompanhando a descoberta de novos picos, a evolução das pranchas, dos materiais e o nascimento da indústria nacional do surfe. Décadas depois, os dois continuam entrando no mar lado a lado, mostrando que algumas das melhores histórias do surfe não são escritas apenas pelas ondas surfadas, mas pelos laços que elas ajudam a construir. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal