[[legacy_image_231061]] Julio Akira Morishigue nasceu no primeiro dia de maio de 1955, em Marília, no Interior de São Paulo. Com apenas 7 anos, a família se mudou para Santos e foi morar na Bacia do Macuco, onde estudou no Colégio Madre Bárbara. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em 1967, se mudou para a Rua Bahia, 190, no Gonzaga. A mãe mantinha uma pensão para hóspedes e servia refeições. Ali mesmo no Gonzaga, frequentando a praia, Akira começou a ver uma galera pegando onda, e descobriu como fazer uma prancha de madeirite. Com a ajuda dos locais, entre eles o Luís Zé e o Bulina, algumas semanas depois ele já conseguiu ficar de pé sobre a prancha. Na transição para as pranchas flutuantes, Akira fez sua primeira de isopor. Ele riscou o molde, fez a longarina, colou as placas e revestiu a prancha com celofane e morim. Por fim, ele cobriu a prancha com resina de assoalho. Quando chegou ao Canal 1 para surfar, impactou a galera. A surpresa durou pouco. A cada queda na água, a placa rachava e lá vinha um novo remendo. Na época, a fabricação de pranchas ainda estava envolta de mistérios e segredos. Para desvendar o processo, Akira comprou um canhão usado, descascou ele inteiro, deu a forma de uma minimodel, aplicou a resina especial sobre o tecido e decorou com um adesivo. Todo mundo achou que era uma prancha gringa. Foi o começo de tudo, em 1973. Akira achou a resina epóxi, chamada pelos santistas de resina de São Paulo, aplicou sobre a nova obra-prima e fez algumas para os amigos, entre eles, o Sérgio Cangiano. Foi ideia dele o surgimento da Akira Surfboards. Cangiano também testemunhou o espírito inventivo do amigo. Antes da chegada do neoprene, eles costuraram uma espuma fina sob um tecido de couro sintético a partir do molde de uma roupa de mergulho. Ele também chamava atenção usando um maiô inteiriço para surfar. Akira aprendeu ainda mais trabalhando com Homero, aprimorando-se na técnica de laminação. Montou sua oficina, onde executava todas as etapas. Depois, se associou ao Jorge Limoeiro. Da união entre o Limoeiro e Akira, nasceu a L&A Surfboards, em 1974. A marca foi um sucesso. Uma nova mudança aconteceu quando Akira foi morar na Av. Pinheiro Machado, no Marapé, em 1975. No novo endereço, ele montou sua oficina na garagem dos fundos da casa. Com a parceria de Pascoal, um ótimo shaper, a Akira virou Akipa, uma aglutinação de Akira e Pascoal. Todo mundo aprovou as pranchas Akipa e as encomendas cresciam. Eles investiram patrocinando atletas e vencendo alguns campeonatos. Com o fim da parceria, Akira continuou com outros shapers, entre eles o Cocó Faggiano. A marca Akira voltou, enquanto novos materiais chegavam como os tecidos de fibra de vidro. A qualidade surpreendia até os gringos quando as pranchas Akira viajavam para fora do País. Porém, foi nas surftrips pelo Brasil, para as praias do Rio de Janeiro, de Ubatuba e de Imbituba, no sul do País, em busca das ondas, que o dinheiro e a empresa acabou. Apesar disso, Akira continuou prestando serviços para outras marcas até se mudar para o Paraná. Ele estudou e se formou em Educação Física, na Universidade de Maringá (UEM). Sua vida profissional acabou acontecendo longe das praias, das ondas e da sua formação acadêmica. Em 1988, montou sua firma de montagem e manutenção de postos de gasolina. Venceu uma concorrência estadual e se instalou na capital sul-mato-grossense Campo Grande, onde fez família. Acompanhe nossas publicações no facebook e no instagram @museudosurfesantos.