A força da mão de obra dos trabalhadores especialistas na produção do algodão (Divulgação) Ao longo da história, a produção do algodão no Brasil enfrentou diferentes ciclos e crises, culminando em guerras e revoltas, como a popular Balaiada, no Maranhão, ocorrida no período imperial. Na época o algodão brasileiro entrou em crise pela forte concorrência dos Estados Unidos, abalando a estrutura social e política na região. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A industrialização foi o grande impulso, o motor da produção algodoeira no mundo. Com o desenvolvimento da indústria têxtil, a exportação do algodão conectou o Brasil à economia mundial. A produção continuou crescendo e alcançou impressionantes 3,7 milhões de toneladas de algodão, tornando o país o maior produtor e exportador do setor no mundo em 2024. O Brasil conquistou essa posição graças à interligação entre produtores e a indústria têxtil brasileira, além de investimentos em pesquisa, desenvolvimento científico e sustentabilidade. O uso do algodão contempla diversas finalidades, entre elas o vestuário em seus variados segmentos, como a moda praia e surfwear. Dos anos 1920 até os dias atuais, a moda praia se desenvolveu sob diferentes tendências. Porém foi a partir dos anos 1950 que a cultura do surfe passou a influenciar a moda praia. Em 1952 a Hawaiian T-Shirt Company foi fundada em Los Angeles, Califórnia. A empresa começou a produzir camisetas de algodão com estampas de inspiração havaiana e polinésia, mas foi a Hang Ten a pioneira no segmento de roupas destinadas a cultura do surfe. A história da primeira surfwear na Califórnia é uma fascinante mistura de cultura, inovação e aventura. A Hang Ten surgiu ainda nos 1960 oferecendo roupas práticas e confortáveis. Ela definiu o estilo visual da cultura do surfe e estabeleceu as bases para a indústria de surfwear global. A partir da Hang Ten a surfwear não parou mais de crescer e nomes como Quiksilver (1969) e Billabong (1973) ganharam mercado e destaque, inspirando novas gerações de surfistas e designers. Em 1983, a Natural Art chegou ao Brasil pelas mãos do surfista Zé Augusto. Anos antes, na Flórida (EUA), um grupo de surfistas se juntou para formar uma fábrica de pranchas de competição, mas foi Zé Augusto quem enxergou o potencial no mercado brasileiro e fez do algodão o estilo da surfwear. Ele se inspirou nas raízes na natureza e na essência do surfe para produzir de maneira sustentável roupas que celebram o estilo de vida nas ondas. A indústria de surfwear é um mercado em constante evolução e segue cada vez mais focada em materiais sustentáveis, como algodão orgânico e poliéster reciclado. Isso reflete a crescente demanda por produtos mais ecológicos e responsáveis. Para entender melhor o tamanho do mercado de surfwear, é importante considerar que o surfe é uma prática esportiva em crescimento, com mais de 30 milhões de praticantes no mundo. Nesse último dia 6 de novembro, a Associação Comercial de Santos promoveu o Cotton Day Santos, iniciativa que teve como objetivo destacar a importância do algodão na pauta comercial brasileira, fomentar discussões e promover conexões entre os principais atores da cadeia produtiva e logística do algodão. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal