Disco da Blitz mudou para sempre a cara do rock nacional e formou uma geração (Reprodução) A passagem da juventude ficou marcada nas primeiras tatuagens da galera na Lucky Tattoo. Evandro fez parte da primeira turma que pegou o ônibus até as Bocas do Cais de Santos para tatuar no artista dinamarquês. As pinturas de guerra e os cabelos ao vento identificavam essa tribo carioca. Quando Otávio e o Rato voltaram do Peru, trouxeram histórias da viagem e a fórmula das parafinas Wax Made na bagagem. Evandro Mesquita, um artista nato, desenhou os rótulos da primeira marca de parafina brasileira, a Magic Wax. A arte era herança de família. O pai desenhava muito bem e a avó era professora de Artes. Evandro cresceu rabiscando e o talento virou negócio. Ele desenharia o cartaz da peça Trate-me Leão, a capa da revista Veja do último verão do Píer de Ipanema e o anúncio da Choque Total, marca de Lipe Dylong, pago com uma prancha de surfe. Entre 1974 e 1975, Evandro embarcou em um Fusca com os amigos Edinho e Joel até Recife pela recém-construída BR-101. Sem dinheiro, desciam as ladeiras na banguela, paravam nas aldeias de pescadores e subiam nos coqueiros para pegar o fruto precioso. Moraram no paraíso de Arempebe por um mês e outros dois em Mar Grande na Ilha de Itaparica. De volta ao Rio, prestou vestibular para Educação Física na Gama Filho e conquistou 50% de bolsa jogando futebol pelo time da faculdade. Aliás, os amigos dizem que Evandro jogava bola melhor do que surfava. Ele não desmente. O fato é que Evandro cresceu vendo e jogando com os melhores de sua geração. Fez parte da Seleção Carioca de Futebol de Praia, atuando pelo Real Constant. Sua relação com o futebol virou letra da música Nunca joguei com Pelé: "Joguei com Renato, Ronaldo e Romário, Marreca, Rafa e Jacaré, mas nunca joguei com Pelé". Logo depois entrou no grupo teatral Asdrubal Trouxe o Trombone. De criação coletiva e anárquica, Asdrubal foi um contraponto na dramaturgia da época. O grupo, formado com Hamilton Vaz Pereira, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Perfeito Fortuna, Patrícia Travassos, Nina de Pádua e Evandro Mesquita, comprou duas kombis para viajar de norte ao sul do país, ministrando oficinas e apresentando a peça. Durante os anos que se seguiram, Evandro enveredou de vez para a carreira de ator, atuou em filmes icônicos como Rio Babilônia e Menino do Rio, e participou de séries inesquecíveis como Armação Ilimitada, Malhação, a Grande Família, Os Normais e Tapas & Beijos. O artista também foi roteirista do filme Não quero falar sobre isso agora, que lhe rendeu o cobiçado Kikito de Ouro, um dos mais importantes prêmios do cinema brasileiro. De suas inúmeras novelas de sucesso, Bang-Bang e Top Model se destacam. Essa última a sua melhor representação. Evandro e Saldanha formavam a sinergia perfeita entre um ator e seu personagem. Não à toa, o intérprete do surfista e dono da barraca de sucos e sanduíches naturais mais descolado da teledramaturgia brasileira, viveu um fato pitoresco. Evandro chegava antes das gravações para surfar as ondas da Macumba, uma das locações da novela. Um dia ele caiu no mar sozinho e acabou se acidentando. A rabeta da prancha bateu na sua testa, abrindo um corte que lhe deixou 23 pontos. Ele ainda conseguiu remar até a praia, onde foi socorrido pelo pessoal da produção. De intensa atividade artística, foi na Blitz que o cantor Evandro Mesquita revelou o seu talento musical para todo o país. Formada em 1981, com Evandro Mesquita (guitarra e voz); Fernanda Abreu e Marcia Bulcão (backing vocals); Ricardo Barreto (guitarra); Antônio Pedro Fortuna (baixo); William "Billy" Forghieri (teclados); e Lobão (bateria), a banda se tornou um sucesso do rock nacional. As músicas irreverentes ganharam rapidamente as rádios e contagiaram uma geração de fãs na década de 1980. Em atividade até hoje, a Blitz atravessou diversas fases lembrando sempre que estamos a dois passos do paraíso, um lugar ainda a ser descoberto... Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal. Colaboração: Evandro Mesquita. Apoio Prefeitura de Santos.