(Reprodução) A história de Jairo Zollinger é a única, segundo Lapo Coutinho, registrada na época por jornal local e fotografias. Nascido em Salvador em 20 de janeiro de 1945, Jairo começou a surfar em 1964, na Praia do Corsário, com uma prancha que ele mesmo construiu em casa, no Monte Serrat. Comprou uma placa de compensado de cedro à prova d’água, curvou o bico, colocou uma quilha e pintou tudo com esmalte sintético. A prancha tinha 2,1 metros e não usava parafina. Para pegar a onda, era preciso usar pé de pato. Jairo também passou a fabricar pranchas de madeirite para vender. Jorge Rupsell foi outro importante pioneiro na produção de madeirites. Não havia carro e o madeirite não cabia no ônibus ou no bonde. Entre 1963 e 1969, o madeirite dominou. Em 1969, surgiu a Haty SurfBoards, primeira marca baiana, dos irmãos Almir e Jorge Moraes. Almir, engenheiro químico, cuidava dos blocos e da laminação; Jorge, engenheiro náutico, trabalhava no shape. Até 1972, a Haty espalhou pranchas de fibra pela Bahia. Do Rio também chegavam pranchas do Coronel Parreiras, Kaneka, Rico, Miçairi e Energia. Em 1972, a Haty foi para o Rio. No mesmo ano, surgiu a primeira loja de surfe da Bahia, a Haty, no Campo Grande, de Nazareno, os Moraes e Zé Alberto Catarino. Depois veio a Sunsurf, de Fred Biscaia e Almeida, no Chame-Chame. Foi nesse cenário que apareceu a Musa Surfboards, de Juarez Tarquínio, Braulio, Lapo e Buga. No Rio Vermelho, todos shapeavam e laminavam. Braulio e Guelez se destacavam no shape, enquanto Lapo e Buga cuidavam da laminação. A Musa dominou o mercado baiano e nordestino nas décadas de 1970 e 1980, ao lado de Rupsell, Coral, Hydra, FA, Arco-Íris, Stolz e Américo. Em Ilhéus, os irmãos Jânio, Adalvo, Brício e Adhemar Argolo também ajudaram a consolidar o surfe baiano. Excepcionais surfistas, os irmãos estiveram à frente das competições e da criação da marca Backdoor, criada em 1981. Além disso, e participaram da organização do surfe ilheense por meio da Associação Ilheense de Surf. Hoje, aos 81 anos, o pioneiro do surfe baiano, Jairo Zollinger continua no mar, velejando em seu barco de 36 pés e praticando esqui aquático. A história dele ajuda a contar uma época em que, antes de loja, campeonato ou indústria, para surfar era preciso primeiro fazer a própria prancha. O surfe baiano, porém, não demoraria a ganhar novos espaços. Em 1987, a Praia de Stella Maris, em Salvador, recebeu uma etapa do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. O Fico Surf Festival levou para o Nordeste a sua quarta etapa e ajudou a colocar a Bahia no mapa das competições nacionais. Mais do que uma etapa de campeonato, o evento abriu espaço para uma nova geração de surfistas nordestinos. Entre eles estava Jojó de Olivença, baiano que se tornaria um dos principais nomes dessa transformação. Em 1988, conquistou o seu primeiro título brasileiro e, pouco depois, chegou à elite do surfe mundial. Durante cinco anos, competiu no Circuito Mundial, então organizado pela Association of Surfing Professionals (ASP), atual WSL. Jojó também marcou a história por ser o primeiro surfista afrodescendente a disputar o Circuito Mundial. *Colaboração Cly Loylie e Lapo Coutinho. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal