[[legacy_image_264765]] Tem invenções tão geniais e ao mesmo tempo, aparentemente, tão óbvias que a gente pensa: “por que eu nunca pensei nisso?” Deve ser inebriante a sensação de acordar certo dia, ter um estalo genial, e, assim como Arquimedes, gritar eureka! Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Mesmo que a maioria das criações magníficas sejam fruto de um longo processo de estudos, pesquisas, há, invariavelmente, o momento em que alguma circunstância, às vezes não planejada, leva à grande descoberta. Tem aquela inventora brasileira, Terezinha Zorowish, que desenvolveu o escorredor de arroz, um utensílio que antes fazia parte de todas as listas de chá de cozinha como item primordial de uma casa. Hoje, está em desuso até porque (sei que alguns vão discordar) não se deve mais lavar arroz. Está até escrito nas embalagens. Com exceção do japonês, os outros podem ficar mais empapados, pois soltam o amido com a lavagem. Bom, Terezinha chegou ao design pela necessidade. Achava contraproducente ter que usar uma bacia com água e depois um escorredor para fazer a tarefa. Geralmente, é mesmo a necessidade que nos leva ao sucesso. O inventor do post it (que eu não entendo porque é tão importante, já que vivo muito bem sem ele) ficou rico e famoso com esse papelzinho que tem uma colinha no topo. Porém, essa invenção que parece tão simples, é bem tecnológica. Para ela ser viável foi preciso uma cola que grudasse, mas fosse de leve aderência para não sair rasgando tudo quando fosse desgrudada. O lance aqui é quando ele teve o insight do produto em si, de que seria útil e um dos itens de escritório mais vendidos no mundo até hoje, mesmo na era digital. Qual seria a maior invenção da humanidade. Acho que depende do dia. No verão santista, eu elejo o ar-condicionado. Ele é quase uma dádiva. Em dias em que me meto a usar salto alto por muito tempo, penso que o chinelo foi uma criação genial. Como jornalista e uma leitora obsessiva e confessa, defendo que Gutemberg, com sua prensa que possibilitou a difusão da informação, é como uma espécie de hors-concours. Ele não conta, tá? Claro, há aquelas invenções que mudaram o mundo, tipo a roda, cujo gênio ou gênios donos da ideia ficaram no anonimato... afinal tiveram o azar de fazê-lo bem antes da prensa. Ou o avião, esse absurdo da engenharia que nos leva para o alto em uma caixa voadora. Mesmo, sendo após Gutemberg, nosso Santos Dumont foi usurpado, em certas partes do mundo, de sua paternidade. Aliás, historiadores nos contam que os chineses já teriam inventado a prensa bem antes, o que prova que além da genialidade é preciso nascer no lugar certo ou ser também um ás da propaganda. Mas vamos falar daquelas coisinhas simples que você pensa: como nunca pensei nisso!? A alça da caneca que impede que queimemos a mão com o café fumegante. O próprio café que vem dentro dela. Quem foi que colheu aquela frutinha que parece uma cereja pela primeira vez e teve a brilhante ideia de secar, torrar, moer, coar, adoçar...São tantas etapas até podermos beber esse líquido que nos desperta para o dia! E os talheres, que nos deixam a necessidade cotidiana e vital de comer bem mais agradável. Li certa vez que Leonardo Da Vinci, inventor fenomenal, é o pai dessa criação. Ele se incomodava com a falta de higiene à mesa. Aliás, o guardanapo é outra genialidade. Simples, mas revolucionária, assim como a lixeira que abrimos a tampa com o pé (quando ela funciona!). E os botões de calças, vestidos e camisas-- como se fazia antes deles. Tudo tinha que entrar ou sair pela cabeça ou pelos pés. Quando fiz uma cirurgia e a recomendação era de usar somente roupas em que eu não precisasse levantar os braços, valorizei os botões. O zíper, então, é o chamado upgrade. Se bem que quando ele emperra ou prende o que não devia, merece, digamos, os elogios não publicáveis de suas vítimas. Acho que os cintos devem ter sido os avós dos botões e ainda, antes deles, os pregadores e os suspensórios. Quem já entrou em uma loja de R\$ 1,99 (que agora não têm nada de R\$ 1,99) já constatou que há um mundo de inutilidades entre as invenções. Aquelas que a gente vai viver 10 vidas e não vai precisar. Meu pai amava comprar todas elas. As gavetas lá de casa ficavam abarrotadas de utensílios usados uma ou nenhuma vez. Separador de claras, descaroçador de maçã, espremedor de pasta de dente e, até certa vez, um silicone para por no nariz e os óculos não marcarem. A gente fica pensando que já inventaram tanta coisa que fica difícil encontrar algo novo, mas o ser humano é mesmo incrível (tirando o fato de que há uma infinidade de invenções criadas para a guerra, até mesmo a lata de leite condensado). Enfim, outro dia me deparei com um plugue de tomada que tem um buraquinho no meio dele para ser puxado facilmente para fora. Simples e genial. Contudo, meu objeto de desejo atual é um sensor que localiza objetos perdidos: chaves, celular, carteira...o inventor dessa maravilha merece gritar eureka!