Cuca e Peres precisam se acertar

Santos segue na briga por vaga na próxima Libertadores, mas antes é preciso combater inimigos internos

Por: Heitor Ornelas  -  05/11/18  -  20:32
Santos segue na busca por uma vaga na Copa Libertadores do ano que vem
Santos segue na busca por uma vaga na Copa Libertadores do ano que vem   Foto: Ivan Storti/Santos FC

O Santos segue na briga por vaga na próxima Libertadores. Contudo, para chegar lá será necessário mais do que simplesmente vencer os adversários nas seis rodadas que restam do Campeonato Brasileiro. Antes de mais nada, é preciso combater os inimigos internos. E o pior deles, por ora, é a linha cruzada entre o técnico Cuca e o presidente José Carlos Peres.


Que os dois não falam a mesma língua, não há dúvida. Tudo começou logo na chegada do treinador. Ao comentar o polêmico caso Carlos Sánchez, que praticamente eliminou o Santos da Libertadores deste ano, Cuca cobrou mais profissionalismo na Vila Belmiro. Sem pestanejar, Peres afirmou que ao técnico cabiam as questões de campo. A esfera administrativa era assunto da diretoria.


Outros entreveros se seguiram, como o bate-rebate sobre a escalação de Bryan Ruiz, até chegar ao mais recente, no qual o treinador revelou que ficou sabendo pela imprensa que o jogo contra a Chapecoense havia sido transferido da Vila Belmiro para o Pacaembu.


Pelo andar da carruagem, Cuca não parece disposto a ficar no Santos no ano que vem. Apesar disso, até sair ele tem a obrigação de fazer o melhor para que a equipe alcance a Libertadores. O mesmo vale para o dirigente, que vem enfileirando desafetos ainda no primeiro ano de gestão. E o melhor que ambos têm a fazer no momento é se acertar. Se não de maneira definitiva, ao menos até o fim do ano, como em uma espécie de trégua.


Tão certo quanto o talento de Cuca é seu histórico de desavenças em diferentes clubes. Peres tem pouco tempo de estrada como presidente e já mostrou que se preocupa com o crescimento financeiro e institucional do Santos, mas muitas vezes não faz as melhores escolhas. Estamos falando de duas pessoas com personalidades parecidas, afeitas ao conflito, mas que têm a responsabilidade de conduzir o clube.


Se brigar pessoalmente é ruim, trocar farpas via imprensa, como a dupla vem fazendo, é pior. Caso não haja um acordo de paz, com todos dispostos a remar para o mesmo lado, o maior prejudicado, cedo ou tarde, vai acabar sendo o Santos.


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