[[legacy_image_268026]] Gosto de estações intermediárias, nem verão, nem inverno. O equilíbrio que permite colocar uma roupa mais caprichada sem ficar grudando de suor ou passear no jardim da orla sem bater os dentes. E o outono é minha preferida, principalmente quando ele se mantém firme em sua personalidade original sem se deixar corromper pelas mudanças climáticas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Céu azul anil, pouca chuva, temperatura amena, folhas amarelas se desprendendo dos galhos pintando o chão naquele tom lindo. Essa paisagem convida, renova o ânimo para sair de casa sem temer aquele calorão do verão. Também fico com mais vontade de cozinhar, sem derreter em frente ao fogão. Outra coisa boa: dormir fica bem mais gostoso. Já dá pra usar uma cobertinha e evitar o ar-condicionado. Até meus dois gatinhos estão nos deixando ficar na cama até mais tarde. Também estão gostando de ficar na cama, enroladinhos no edredom. É o clima ideal para o romance. Época de vinho, de caldos e fondues. Perfeito para curtir a dois. O tempo parece que passa mais rápido, é verdade. O fim de semana não dá para nada quando a gente quer aproveitar tudo da estação. Piscou, passou. No hemisfério norte, a primavera é recebida com festa. Afinal, vem dar um refresco aos rigorosos invernos. Todos saem de casa, fazem piqueniques nas praças e parques, organizam desfiles e festivais dando boas-vindas ao clima ameno. Pois eu acho que aqui a gente devia fazer isso com o outono. Afinal, rigoroso por nossas bandas é o verão, que é bom para ficar mergulhado no mar ou na piscina ou enfurnado no ar-condicionado. Outono é suavidade. Quando tudo vai ficando mais afável. O sol brilha quase todos os dias, em convite para caminhar com a brisa fresquinha que deixa tudo equalizado. Agora entendi a frase ‘está no outono da vida’. Outono é equilíbrio. Aquela fase da segurança em que a intensidade e a ansiedade dão espaço à calma, à paciência, à suavidade. Assim como as folhas se despedem das árvores dando espaço a outras, novas, a gente também precisa deixar ir, saber abrir mão para seguir com disposição para os próximos ciclos, sempre continuando a crescer. A gente vai serenando na linha do tempo da vida, assim como o calendário das estações.