Investimentos bilionários aceleram a produção de autômatos que prometem ajudar nas tarefas do dia a dia (Adobe Stock) Com o mercado global de robôs humanoides avaliado em bilhões de dólares, a promessa de ter uma máquina de formato humano nos ajudando no dia a dia deixou de ser apenas delírio de Hollywood. Mas, calma lá; antes de encomendar o seu mordomo em formato de robô, vale a pena entender o que é realidade e o que se trata de puro marketing. A grande discussão ganhou força porque gigantes da tecnologia preveem a chegada desses robôs ao mercado corporativo de forma limitada ainda nesse ano, abrindo espaço gradualmente para o público a partir de 2027. Vários analistas e acompanhadores desses projetos veem o cronograma dessa forma: 2028 e 2029 como a janela mais provável para disponibilidade ampla ao consumidor de diversos países, isso tudo após a fase de testes externos e amadurecimento da produção em série. O grande desafio para que eles cruzem a porta da nossa casa não é apenas andar por aí de forma bonita, mas lidar com o caos organizado que chamamos de lar. Enquanto uma fábrica é um ambiente planejado, limpo e previsível e por isso já está cheia de robôs desse tipo, a nossa casa tem tapetes embolados, pets correndo, crianças brincando e copos fora do lugar, entre outras coisas. Os primeiros modelos que estiverem nas lojas para comprarmos precisarão de supervisão humana ou menus de tarefas muito bem definidos. Além disso, a destreza é outro obstáculo gigantesco, afinal, qualquer robô consegue dar passos desajeitados, mas o verdadeiro valor está em conseguir não quebrar um copo ao colocá-lo na pia, dobrar roupas da forma correta ou fechar um armário sem bater a porta. É por isso que o mercado de robôs aspiradores, que hoje são líderes de vendas no segmento de robôs domésticos, nos ensinou que o sucesso vem da especialização: primeiro resolvemos tarefas simples e repetitivas, para só depois abraçar a complexidade geral. Outro ponto que mexe com o bolso e com a nossa curiosidade é o preço desses robôs humanoides. Com custos iniciais elevados, para você ter uma ideia a venda está estimada em US\$ 20 mil por unidade ou as assinaturas mensais com valores estimados de US\$ 500. Esse fator com certeza pesará em qualquer orçamento familiar e o investimento no robô precisará ser justificado, por exemplo, eliminando trabalhos árduos de verdade que geram custos mensais para as famílias. Isso tudo sem contar a segurança jurídica que é uma questão ainda muito vaga. Se o robô quebrar um objeto de valor ou tropeçar em uma criança pequena, de quem é a culpa? Do fabricante ou de quem comprou? Devemos ficar animados então com essa evolução e com todas as demonstrações que vemos na internet? E para o Brasil, a chegada desses robôs pode abrir quais debates?