Índice põe o Chile no topo do ranking e deixa um recado importante para o Brasil (Adobe Stock) A América Latina entrou definitivamente na corrida da inteligência artificial, mas essa não é uma prova de popularidade. Afinal, não vence quem fala mais sobre IA, mas sim quem constrói as bases certas para que ela floresça. É exatamente isso que o Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial (Ilia) se propõe a medir. O relatório avalia de forma sistemática o avanço da IA na região e oferece uma ferramenta comparativa para enxergar conquistas, lacunas e oportunidades estratégicas. Ele não mede entusiasmo, e sim o ecossistema. Quando falamos em ecossistema de IA, estamos nos referindo a itens como pesquisa científica, formação de talentos, infraestrutura, investimento, governança, políticas públicas e adoção empresarial funcionando de maneira integrada. Quem lidera esse ranking é o Chile, país que aparece no quadrante que combina alta governança com alto desempenho em pesquisa, desenvolvimento e adoção. Isso significa coordenação entre universidades, setor privado e governo. O relatório também faz um alerta importante para a região. Muitos países já anunciaram estratégias nacionais de IA, mas o problema é que, em vários casos, faltam orçamento consistente, plano de implementação e indicadores claros de acompanhamento. O Brasil, por sua vez, demonstra um apetite impressionante por inteligência artificial. De acordo com dados da Similarweb divulgados no primeiro trimestre de 2025, o país permaneceu entre os cinco maiores mercados globais em número de acessos ao ChatGPT. Nós usamos, testamos e incorporamos rapidamente, porém, usar não é a mesma coisa que liderar. Se o Brasil quiser subir ao topo do Ilia, precisa transformar intensidade de uso em capacidade estruturada de produção e inovação. E isso exige algumas decisões práticas. A primeira delas é transformar a estratégia nacional de IA em um plano executável, com metas claras, orçamento que vale por vários anos e indicadores públicos. Por exemplo, definir metas para dobrar o número de doutores em IA formados até 2030 ou estabelecer objetivos de contratação de soluções nacionais em compras públicas. A segunda é financiar pesquisa aplicada e conectada ao mercado. O Brasil produz pesquisas de altíssima qualidade, mas precisa fortalecer a ponte entre universidade e empresa, coisa que fora do Brasil é muito comum. Editais que exijam parcerias concretas podem impulsionar soluções em áreas estratégicas como agronegócio, logística portuária e saúde pública. Resolver problemas nacionais com IA cria um diferencial competitivo exportável. Em terceiro lugar, investir em infraestrutura de dados e computação. Liderança em IA exige poder computacional robusto e acesso organizado a dados de qualidade. Centros nacionais de computação de alto desempenho, acessíveis a pesquisadores e startups, funcionariam como uma usina que abastece todo o ecossistema. Quarto: formar talentos em escala. Não apenas especialistas de elite, mas gestores públicos, executivos e profissionais capazes de entender, contratar e supervisionar sistemas de IA. O país que lidera Inteligência Artificial não é apenas o que programa melhor, mas sim o que compreende melhor como integrar a tecnologia em sua economia. A pergunta agora é simples e decisiva: continuaremos como um dos maiores usuários de inteligência artificial do mundo ou vamos organizar nossas bases para liderar a próxima fase dessa revolução?