(Imagem gerada por IA) Você já parou para pensar como seria se um carro autônomo de aplicativo decidisse, do nada, pegar um atalho perigoso por achar que sabe o que é melhor para você? Isso seria bem assustador aos nossos olhos. O assunto que vem dando o que falar em todo o planeta envolve uma tecnologia parecida, operando em um cenário infinitamente mais grave. Estou falando dos drones autônomos, aquelas pequenas aeronaves que conseguem voar, mapear caminhos e cumprir missões sem que ninguém precise ficar com o dedo fixo no controle segundo a segundo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Acontece que essa tecnologia ultrapassou uma barreira muito delicada. Autoridades da Ucrânia confirmaram o registro de três mortes de civis provocadas por um drone russo que escolheu o alvo final inteiramente sozinho, sem nenhuma interferência humana. Se os relatórios estiverem corretos, estamos diante do primeiro caso documentado da história em que uma arma guiada por IA tira a vida de civis em um conflito. Para entender como isso é possível, vale olhar por dentro do cérebro eletrônico desses aparelhos. Em locais onde o sinal de GPS falha, os engenheiros usam uma técnica chamada Slam, sigla em inglês para mapeamento e localização simultâneos, um GPS interno, por assim dizer. E a inteligência artificial é aplicada de diferentes formas nesse contexto. As redes neurais (sistemas inspirados no cérebro humano) fazem com que esse drone não apenas capte imagens, mas entenda o que está vendo. Ele identifica cabos de alta tensão finos, torres, árvores ou pessoas, diferenciando cada objeto para desviar deles e desenhar um mapa 3D do local em tempo real. Conforme o drone voa, usa sensores como câmeras comuns, câmeras de profundidade ou laser (chamado de Lidar) que ficam tirando fotos e medindo distâncias a cada centésimo de segundo. Esse equipamento com IA embarcada passa por um treinamento, para aprender o que precisa ser feito, para navegar em corredores apertados, florestas densas ou perseguir alvos em movimento, o drone “joga videogame” em um simulador milhões de vezes e a hipótese dos ucranianos é de que o havia sido “ensinado” a reconhecer os tanques de postos de combustível, para causar ainda mais destruição. Diante desse cenário alarmante, a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha vieram a público condenar o uso de armas autônomas que decidem quem atacar sem a supervisão direta de uma pessoa. A ONU classificou o momento como a aproximação perigosa de uma linha vermelha moral. Afinal, se a tecnologia decide quem vive e quem morre, quem assume a culpa quando o erro acontece?