(Gabriela Morais/Imagem gerada por IA) Pense em uma cidade. Nela, sempre há becos escuros, certo? Com a internet, é igual. O problema é que, de uns tempos para cá, ele não está mais escondido nesses becos — tomou as avenidas principais. Estamos vivendo a era do AI Slop, um termo que pode soar estranho à primeira vista, mas traduz perfeitamente o momento atual. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Slop” significa algo como lama, resto, chorume — conteúdo de baixa qualidade. Não à toa, foi eleita a palavra do ano de 2025 justamente por descrever o que está acontecendo na internet: uma enxurrada de conteúdos gerados por inteligência artificial sem validação humana, feitos em escala industrial, sem profundidade e muitas vezes sem qualquer compromisso com a verdade. Essa facilidade criou um incentivo perigoso: quanto mais conteúdo, mais cliques. E quanto mais cliques, mais dinheiro. A culpa é da IA? Não. A culpa, infelizmente, é do bom senso humano que ficou de lado. Antes, produzir conteúdo exigia tempo, esforço e conhecimento. Agora, basta um comando — como uma impressora que nunca fica sem tinta. Um estudo recente da Kapwing, plataforma online de edição de vídeo e imagem, mostrou que a cada cinco conteúdos que você vê, um pode ser basicamente “lixo digital” bem embalado. Não por acaso, muita gente sente saudade da “antiga internet”. Como não podemos voltar ao passado, será preciso se adaptar. Isso exige desenvolver habilidades para detectar conteúdos falsos ou rasos. Alguns sinais são claros: excesso de generalizações, textos que falam muito e dizem pouco, afirmações confiantes sem fonte, imagens “perfeitas demais” ou com erros sutis, além de títulos apelativos como “você não vai acreditar...” ou “olha que história maluca...”. Os exemplos estão por toda parte: vídeos curtos com personagens de IA em histórias absurdas, craques do futebol como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar em situações impossíveis, animais humanizados, cenas dramáticas fabricadas em escala para viralizar. Há até conteúdos com figuras religiosas e lideranças políticas em contextos exagerados. Uma boa comparação é com alimentos ultraprocessados: são bonitos, fáceis de consumir, mas não nutrem. Nem tudo que é “consumível” é, de fato, bom. O antídoto está na mudança de comportamento — buscar múltiplas fontes, considerar diferentes perspectivas, desconfiar do que parece fácil demais e, principalmente, vencer a preguiça. O AI Slop se alimenta da pressa, da distração e do consumo automático. Se você não treinar o olhar para separar o que é conteúdo de verdade do que é apenas ruído… quem está, de fato, controlando o que você acredita?