(Adobe Stock) Você já se deparou com algum vídeo nas redes sociais e ficou na dúvida se aquela cena era real ou produzida por inteligência artificial? Pois é, se antes a gente identificava uma imagem gerada por IA contando os dedos das mãos, hoje tem vídeo que merece até replay para descobrir se é verdadeiro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A qualidade desses vídeos evoluiu tanto nos últimos anos que seria praticamente impossível a tecnologia não chamar a atenção de quem vive de produzir imagens: a indústria cinematográfica. A inteligência artificial já está sendo utilizada para produzir efeitos especiais, corrigir cenários, ajustar iluminação e realizar tarefas que, pelos métodos tradicionais, poderiam exigir equipes enormes, muito tempo e investimentos altíssimos. Na série argentina O Eternauta, por exemplo, a Netflix utilizou inteligência artificial para criar uma cena de desabamento de um edifício em Buenos Aires. Segundo a plataforma, a sequência ficou pronta dez vezes mais rápido em comparação à utilização dos métodos tradicionais de efeitos visuais. E a Netflix não está apenas experimentando: em março deste ano, ela anunciou a compra da InterPositive, empresa fundada pelo ator e diretor Ben Affleck, especializada em ferramentas de IA para a produção cinematográfica. Aqui vale esclarecer uma coisa: quando ouvimos que um filme foi totalmente produzido com inteligência artificial, isso geralmente significa que suas imagens foram geradas com essa tecnologia. Não quer dizer que a IA acordou inspirada, escreveu um roteiro, dirigiu as cenas e resolveu lançar um filme sozinha. Por trás dessas produções continuam existindo profissionais responsáveis por roteiro, direção, montagem, escolhas criativas e inúmeras decisões que fazem uma história funcionar. Por isso, acredito que o futuro mais próximo do cinema será híbrido. De um lado, roteiristas, diretores, atores e equipes criativas. Do outro, ferramentas de inteligência artificial ajudando a transformar ideias em imagens, com mais agilidade e, em determinadas situações, custos menores. Aproveito e deixo aqui para você um exemplo que merece a sua curiosidade, que é o filme The Cully Hill Boys, longa de ação e comédia produzido pela empresa Higgsfield AI. Esse filme conta com aproximadamente 110 minutos de duração, foi produzido em apenas quatro semanas, com orçamento divulgado de US\$ 2 milhões e uma equipe de 28 profissionais. A produção utiliza versões digitais autorizadas de pessoas reais, incluindo os lutadores Israel Adesanya e Quinton Rampage Jackson. O filme está disponível na plataforma da Higgsfield e vale a experiência, nem que seja para observar como essa tecnologia já consegue sustentar uma história de longa duração. E o cinema brasileiro com isso tudo? Vamos combinar que criatividade nunca faltou ao brasileiro. Temos histórias, profissionais talentosos, diversidade cultural e cenários que dariam filmes incríveis. O grande problema é que transformar boas ideias em grandes produções exige recursos que nem sempre estão disponíveis. Uma produtora independente brasileira poderá utilizar essas ferramentas de IA, assim como a Higgsfield fez, para desenvolver cenários, criar efeitos especiais, testar sequências e realizar ajustes que antes poderiam ficar fora do orçamento. Ou seja, essa tecnologia pode diminuir e muito as barreiras financeiras e ampliar as possibilidades de quem tem boas histórias para contar.