(Adobe Stock) Suponha que você criou um avião, o mais rápido do mundo, capaz de cruzar o planeta em questão de minutos, mas, ao abrir a porta do mesmo, você descobre que os passageiros só querem usar a criação maravilhosa como um refúgio tranquilo para ficar em paz, refletindo, sem ruídos externos. Foi exatamente esse tipo de surpresa que o mercado de tecnologia recebeu recentemente, quando viu que a inteligência artificial possui o maior uso para encontrar escuta, ter conselhos e simplesmente companhia para uma longa conversa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quando a inteligência artificial generativa ganhou o mundo, há três anos e meio, a promessa vendida em todas as publicações era que ela seria a ferramenta definitiva para turbinar a produtividade no trabalho. Esperava-se que a IA assumisse a criação de planilhas complexas, escrevesse códigos de programação sem esforço e montasse apresentações corporativas perfeitas em questão de segundos, e, de fato, ela fez e faz tudo isso. No entanto, o resultado de um estudo recente da prestigiada Harvard Business Review, chamado “How People Are Really Using AI”, mostrou que a busca por suporte emocional e escuta ativa praticamente dobrou. Enquanto as grandes empresas investiam bilhões na promessa da eficiência produtiva, os usuários comuns encontraram na tela do celular um espaço neutro e infinitamente paciente para desabafar sobre as dores do cotidiano, organizar sentimentos confusos e superar momentos de isolamento. A IA atrai quem busca terapia ou companhia por não ter um traço muito humano, que é a capacidade de julgar. Em um mundo onde as pessoas andam cada vez mais apressadas, ocupadas e sem tempo para ouvir o outro, encontrar um assistente digital, uma IA, disponível vinte e quatro horas por dia acabou se tornando um refúgio poderoso. Vivemos em uma época hiperconectada por redes sociais, notificações e mensagens instantâneas a todo segundo. Ainda assim, a sensação de isolamento nunca foi tão presente. A busca intensa por conversas íntimas com a IA revela que a nossa maior carência não era por softwares mais rápidos, mas sim por conexões humanas autênticas e espaços de escuta sincera. Usar uma inteligência artificial para buscar acolhimento emocional não é sobre nos apaixonarmos pelas máquinas, mas sobre a nossa eterna necessidade de sermos ouvidos e compreendidos. Se até a IA acabou virando um ombro amigo para desabafar no fim do dia, fica a reflexão sobre o valor do nosso tempo e da nossa atenção. Será que o ativo mais valioso e raro do nosso tempo passou a ser a verdadeira presença humana?