(Adobe Stock) Preparou a sua pipoca? Porque o espetáculo começou e está sem previsão de acabar. Eu falo do espetáculo de horror corporativo que estamos assistindo nos últimos anos no mercado global, onde grandes marcas simplesmente decidiram entregar as chaves de suas operações para a inteligência artificial sem colocar um supervisor humano no banco do carona para puxar o freio de mão quando o sistema decide delirar. Casos que saíram na mídia, em relação ao mau uso de IA, em empresas conhecidas como Chevrolet (2023), McDonald’s (2024), Deloitte (2025) e Smart Fit (2026), mostram um padrão de falha que é a falta de governança, ou seja, deixar a IA funcionando sem supervisão humana. Quando olhamos para a linha do tempo recente do mercado, fica evidente que o problema nunca esteve nos algoritmos complexos ou nos modelos de aprendizado profundo de IA, mas sim na nossa própria pressa insana de automatizar processos sem estabelecer regras claras de convivência. E sim, empresas que adotam a IA de forma acelerada podem aumentar suas margens de lucro, mas o alerta aqui é que os riscos reputacionais e operacionais triplicam quando não há uma estrutura sólida de governança estabelecida. Deixar a tecnologia rodando no modo totalmente livre, sem qualquer tipo de filtro ou vigilância, é o convite perfeito para um efeito dominó que arrasta a credibilidade da marca direto para o fundo do poço em poucos minutos de exposição nas redes sociais. Nesse cenário tecnológico, do empresário ao estagiário, todos enfrentam um grande vilão invisível que é a falta de letramento digital dentro do próprio ambiente de trabalho. Resolver essa questão urgente não significa transformar cada pessoa em um programador, o famoso nerd especialista em linhas de código, mas sim educar essa pessoa para o básico da sobrevivência digital, fixando a ideia de que a máquina funciona apenas como um excelente copiloto, mas que nunca deve atuar de forma autônoma. Atualmente, estamos vendo soluções de IA sendo lançadas com superpoderes, mas com a maturidade de uma criança de dois anos. Sem supervisão, elas tomam decisões desastrosas, como deletar pastas cruciais em servidores, apagar bancos de dados inteiros ou até fornecer senhas de acesso para quem não deveria. Agora que o mercado está amadurecendo em relação ao tema, precisamos focar em criar processos de supervisão humana que funcionem de verdade e não apenas “para inglês ver”. A inteligência artificial é fantástica para processar volumes gigantescos de dados, mas ela não tem empatia, contexto cultural e, acima de tudo, não tem bom senso. O futuro não pertence às empresas que automatizam até o cafezinho, e sim àquelas que sabem exatamente onde a automação deve parar para a inteligência humana assumir o controle. Até que ponto a busca cega pela eficiência tecnológica na operação está colocando em risco o patrimônio mais valioso que uma empresa levou anos para construir?