(Adobe Stock) Sempre costumo dizer que a inteligência artificial já está em tudo. No celular, no atendimento das empresas, nos algoritmos que escolhem o que você assiste. E sim, também no esporte, especialmente no futebol. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em janeiro deste ano, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, subiu ao palco ao lado do CEO da Lenovo e classificou a Copa do Mundo de 2026 como o maior espetáculo de todos os tempos. A frase chama atenção, mas quando entendemos o que está sendo construído nos bastidores, ela começa a fazer sentido. A tecnologia no futebol não é novidade. Há anos falamos de VAR, tecnologia da linha do gol, monitoramento físico dos atletas, prevenção de lesões e análises táticas baseadas em dados. O esporte já vinha se tornando cada vez mais analítico e estratégico, mas o que muda agora? A escala e o nível de integração da inteligência artificial em todas as camadas do evento. Uma das ferramentas apresentadas foi o Football AI Pro, baseado no modelo de linguagem de futebol da Fifa. Na prática, trata-se de um sistema capaz de analisar milhões de dados por partida e transformar esse volume massivo de informação em algo compreensível. Ele poderá gerar insights em texto, recortes automáticos de vídeo, gráficos interativos e visualizações em 3D, tudo acessível antes e depois dos jogos e em múltiplos idiomas. Para as equipes, isso significa suporte estratégico mais sofisticado. Será possível aprofundar análises específicas, como padrões recorrentes em cobranças de escanteio, movimentações defensivas em determinadas formações ou comportamentos táticos que se repetem ao longo das partidas. Não estamos falando apenas de estatísticas frias, estamos falando de interpretação automatizada, organizada e explicada de forma clara. Outro ponto que chama atenção é a evolução na arbitragem, pois decisões poderão ser reconstruídas com precisão algorítmica por meio de avatares 3D gerados por inteligência artificial. Em vez de apenas rever um lance em câmera lenta, será possível visualizar a reconstrução tridimensional do momento exato do passe, com o posicionamento corporal dos atletas modelado digitalmente. Isso aumenta a transparência e reduz a margem de dúvidas para árbitros e espectadores. Além disso, uma câmera estável acoplada ao peito do árbitro promete oferecer uma nova perspectiva ao público, aproximando quem assiste da tomada de decisão em campo. A experiência deixa de ser apenas televisiva e se torna imersiva. Nos bastidores, a transformação é ainda mais profunda. Um centro de comando inteligente, alimentado por IA, será responsável por gerar resumos em tempo real, coordenar operações logísticas e monitorar fluxos de pessoas. Serão criadas réplicas virtuais em 3D dos estádios, verdadeiros gêmeos digitais das arenas. Essas simulações permitirão acompanhar tanto o que acontece dentro quanto fora das estruturas físicas, prevendo sobrecargas, ajustando rotas e otimizando a segurança quase instantaneamente. O que estamos vendo não é apenas a modernização de um torneio esportivo, é a aplicação prática da inteligência artificial em larga escala, combinando análise de dados, simulação, comunicação multilíngue e gestão operacional integrada. Se a Copa de 2026 será o maior espetáculo de todos os tempos, como afirmou Gianni Infantino, talvez não seja apenas pelos gols ou pelas estrelas em campo. Até porque, pela primeira vez, veremos de forma tão explícita a inteligência artificial operando como infraestrutura invisível de um evento global. Você já imaginava que a tecnologia chegaria a esse nível?