(Adobe Stock) A inteligência artificial vai acabar com a humanidade até 2030? Antes de entrar em pânico com essa pergunta assustadora, vale a pena olhar com calma para os bastidores dessa discussão. A notícia do momento envolve a saída de Jacob Coxon, ex-pesquisador da OpenAI e da Anthropic, da indústria de tecnologia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O motivo foi o medo de IAs que se autoaperfeiçoam e eliminam os humanos da terra e esse tipo de alerta mexe com a nossa imaginação porque sugere que o apocalipse está logo ali na virada da década, que foi o prazo que ele julgou como pertinente para isso acontecer. Mas, existe um abismo gigantesco entre levantar uma hipótese de risco e afirmar que ela é uma certeza absoluta para o nosso futuro. Essa preocupação toda nasceu da velocidade absurda com que a capacidade computacional e a habilidade das IAs evoluíram nos últimos anos. Os dados do mercado mostram que a inteligência artificial generativa movimenta bilhões de dólares e ganha espaço acelerado nas empresas. Só que tecnologia avançada não significa ruptura repentina da sociedade da noite para o dia. A IA vai reconfigurar muita coisa, transformar profissões e aposentar algumas tarefas repetitivas, mas a transformação real acontece em camadas e de forma gradual, bem diferente do alarde que esse ex-pesquisador trouxe para todos. Quando olhamos para previsões catastróficas, percebemos que elas geralmente partem de uma bolha muito específica: o Vale do Silício e as grandes potências do Hemisfério Norte. Quando trazemos o debate para o Brasil, a conversa muda completamente de figura, porque a nossa realidade cotidiana lida com desafios de infraestrutura, letramento digital e adaptação das pequenas empresas. Dados mais recentes do IBGE e de outras fontes oficiais de 2025 e 2026, mostram que cerca de 4 milhões de domicílios no Brasil ainda não têm acesso à internet, enquanto aproximadamente 450 mil pessoas vivem sem energia elétrica no País. O impacto por aqui não passa por robôs dominando o mundo, mas pela reorganização econômica e pela urgência de capacitação profissional no dia a dia. As pesquisas econômicas revelam que a tecnologia tem um potencial enorme para injetar recursos na economia brasileira e impulsionar ganhos de produtividade em diversos setores. O verdadeiro desafio não é o fim da humanidade, mas a forma como a sociedade vai se estruturar diante de tantas mudanças no mercado de trabalho e na educação. A discussão útil deixa de ser sobre um apocalipse e passa a ser sobre como redesenhar os negócios e a nossa rotina agora mesmo. Então, quando você pensa no futuro da inteligência artificial, o que mais te preocupa: uma superinte-ligência fora de controle ou as transformações econômicas e sociais que já estão acontecendo?