Outro dia, alguém me mostrou um texto que tinha acabado de escrever com ajuda de inteligência artificial. Ele parecia bom à primeira vista, bem organizado, direto, até convincente, mas depois de poucos parágrafos lidos surgiu aquela sensação estranha de déjà vu. Era como ouvir alguém falando bonito, mas sem realmente dizer algo novo. Se você prestar atenção, isso está acontecendo cada vez mais na internet e nas rotinas profissionais. A inteligência artificial entrou de vez no nosso dia a dia. Ela escreve mensagens, organiza ideias e cria conteúdos inteiros em segundos. Trata-se, de fato, de um movimento inevitável. Estamos vivendo um momento curioso, pois nunca se falou tanto sobre inteligência artificial. Temos cursos, palestras, vídeos, tutoriais. Mas, na prática, ainda são poucas as pessoas que realmente dominam o uso no dia a dia. É muita explicação e pouca aplicação. E essa falta de prática começa a deixar rastros. Com o tempo, ficou mais fácil identificar quando um texto foi feito com ajuda de IA, por exemplo. Isso não ocorre porque a tecnologia é ruim, pelo contrário, mas porque muita gente usa da mesma forma, repetindo padrões. Você provavelmente já viu textos com travessão, com frases curtas demais, quase como se estivessem tentando simplificar tudo ao extremo ou aquele estilo repetitivo de comparação, como “não é isso, é aquilo”, que tenta soar inteligente, mas logo entrega um certo automatismo. Ou, ainda, você se deparou com expressões prontas usadas para criar impacto, mas que aparecem tantas vezes que já perderam a força, sem falar no uso exagerado de emojis ou de textos que parecem uma lista de tópicos. Nada disso é, por si só, um problema. A real dificuldade é quando tudo isso aparece junto e o tempo todo. É aí que o texto deixa de parecer humano. Usar inteligência artificial não é um erro por parte do público. O erro mesmo é abrir mão do seu próprio pensamento, muitas vezes por pressa em realizar a tal demanda. O uso da IA começa a amadurecer a partir de agora e isso significa aprender a refinar, ajustar, revisar. Significa colocar a sua voz, o seu repertório e a sua experiência no que foi gerado por ela. Usar a IA bem é quase como cozinhar com um ótimo ingrediente: ele ajuda muito, mas não faz o prato sozinho. Você sabe o que coloca na panela e prova o que produz com a IA ou está apenas esquentando um prato pronto?